Em oito dias, 20 desaparecimentos. O número de crianças e adolescentes que desaparecem na Região Metropolitana de Belém assusta. Do total, 14 já foram localizados e seis continuam desaparecidos. No ano passado, 657 ocorrências de desaparecimentos foram feitas e 634 foram localizadas. A maioria dos casos de desaparecimento é de crianças ou adolescentes femininos, que correspondem a cerca de 70% das ocorrências registradas na Divisão de Atendimento ao Adolescente (DATA) da Polícia Civil. Os números são do Serviço de identificação e Localização de Crianças e Adolescentes Desaparecidos (Silcade).
Somente no mês de dezembro, 41 casos foram registrados – 38 desaparecidos femininos e três masculinos. Destes, 23 jovens foram localizados. De acordo com o coordenador do Silcade, investigador Edivaldo Carmo, a causa principal de desaparecimento de jovens é a fuga por conflitos familiares motivados por um relacionamento amoroso não aceito pelos pais. “As causas são, além do relacionamento amoroso, conflitos na família, opção sexual não aceita ou liberdade demais para o filho”, relata.
A maioria dos desaparecidos tem entre 12 e 17 anos, são de famílias desestruturadas e de baixa renda. “Os pais não devem esperar 24 horas para fazer o registro do Boletim de Ocorrência, que pode ser registrado em qualquer Delegacia de Polícia.
O melhor é comunicar de imediato, desde 2005 existe a Lei da Busca Imediata que garante isso”, defende. Ele orienta que os pais sejam sinceros nas informações que passam para a polícia. “Logo que eles chegam, nós conversamos para saber que tipo de problemas eles podem estar passando e eles precisam nos contar a verdade. Assim, quando achamos o adolescente, também conversamos com eles, que também são atendidos por uma psicóloga”, acrescenta.
O investigador explica que o elevado índice de localização dos jovens desaparecidos – 95% - é resultado de um esforço conjunto, pela rapidez na comunicação do desaparecimento e pela divulgação da foto do jovem. “Temos casos que logo são resolvidos e outros não. Mas as buscas sempre continuam. Enquanto não aparecer corpo, temos a esperança de achar”, garante.
(Diário do Pará)
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