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Turismo: um potencial que precisa ser explorado

Belém completou ontem 397 anos de fundação e a cidade que tem janelas para o rio abre cada vez mais as portas para os turistas, que são atraídos pela beleza exuberante da região amazônica e sua rica cultura. Eles chegam por terra, rio e ar a fim de conhe

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Belém completou ontem 397 anos de fundação e a cidade que tem janelas para o rio abre cada vez mais as portas para os turistas, que são atraídos pela beleza exuberante da região amazônica e sua rica cultura.

Eles chegam por terra, rio e ar a fim de conhecer as cores, os cheiros, os sabores, os sons e as crenças que fazem de Santa Maria de Belém do Grão-Pará um lugar singular, onde reside um povo receptivo. Não é à toa que a capital paraense está entre os 65 destinos de maior potencial turístico do Brasil, de acordo com o Conselho Nacional de Turismo e Ministério do Turismo. Somente no ano passado, quase 600 mil turistas, nacionais e internacionais, passaram pela “Cidade das Mangueiras”.

Apesar de seu potencial turístico a “Metrópole da Amazônia” ainda carece de investimentos e de políticas públicas eficientes, sejam elas na esfera Municipal e Estadual, capazes de fortalecer e melhorar o turismo em nossa cidade, que é cercada por ilhas que poderiam favorecer ao turismo ecológico e sustentável. A previsão é de que as coisas melhorem até 2020 quando Belém for, de fato, a porta para o turismo na Amazônia e o Pará se torne o Estado de liderança nesse setor na região.

Enquanto essas melhorias não chegam, a nossa cidade continua se apresentando de forma modesta, mas que não deixar de encantar a quem chega. Naturais do Rio de Janeiro, o casal Sabrina Perillo, 28, e Flávio Menezes, 30, se encantaram com a Memória de Belém, contada na arquitetura e edificações do Complexo Feliz Lusitânia e dos casarões da Cidade Velha, um dos principais pontos turísticos da cidade. Eles vieram visitar amigos e aproveitaram para conhecer as peculiaridades de nossa terra. “O nosso passeio começou pelo Ver-o-peso que é um lugar interessante, tudo a gente encontra ali. Quando falamos para alguns amigos que viríamos a Belém, todos disseram que não deveríamos deixar de ir ao Ver-o-peso e eles tinham razão”, comentou Sabrina, que caminhava com o suor escorrendo pelo seu rosto. Era o calor da cidade que a fazia transpirar.

Flávio ficou deslumbrado pelo “poder comercial” que a Belém possui e que se torna mais evidente quando se caminha pelo mercado de ervas, no Ver-o-peso. “Você caminha pelo setor das ervas ali, e àquelas senhoras (erveiras) nos atraem de forma muito simpática, receptiva. Mesmo que a gente não queira é impossível não levar, pelo menos, o cheiro do Pará”, destacou.

Da culinária o casal experimentou o sorvete de açaí com tapioca, o chamado sabor “paraense”. “Ah! Também provei a tapioquinha e gostei”, disse Sabrina, que ficou interessada em conhecer a Ilha de Mosqueiro, quando soube das praias e da Tapiocaria na Vila. “Já tinham nos falado sobre Cotijuba, talvez a gente passe por lá”, replicou a carioca, que sentiu a vontade ao conversar com a reportagem. “Os paraenses são mesmo hospitaleiros”, comentou.

Na última quarta-feira, eles passearam pelo Forte do Presépio, onde ficaram admirados com a vista para o Mercado do Ver-o-peso e o contraste entre os casarões antigos e as novas edificações da cidade de Belém.
“Queremos ainda conhecer a noite de Belém e sentir os ritmos e a dança. A cidade é animada e o povo daqui também”, observou Sabrina.

O passeio turístico do casal foi roteirizado por amigos que moram na cidade, pois Belém é um pouco carente de informações neste aspecto. A Coordenadoria Municipal de Turismo (Belemtur), que em breve passará a ser a Secretaria Municipal de Turismo, prometeu instalar, ontem, dia do aniversário de Belém, a sinalização em seis pontos da cidade com indicações sobre os pontos turísticos e localizações.

A princípio os pontos turísticos contemplados por esta sinalização são a Estação das Docas, Complexo Feliz Lusitânia, Teatro da Paz, Museu de Arte Sacra, Basílica Santuário e Museu Emílio Goeldi. Estes se constituem nos locais mais visitados e que ajudam a contar a história da fundação de Belém, a cultura, a fé e a fauna e flora da região.

Plano Municipal de Turismo é a solução

Uma das justificativas para este problema é que o município ainda não possui um inventário sobre quais são e onde estão catalogados todos os pontos com potencial turístico na cidade de Belém e suas ilhas. O titular da Belemtur, Fábio Haber, destacou que um projeto de levantamento desses pontos está em andamento. “Este estudo vai garantir o embasamento que a gente precisa para elaborar o Plano Municipal de Turismo, que dentre outras finalidades irá pensar um orçamento para este setor”, disse Haber.

Ele destaca que com a criação da secretaria muda toda a estrutura administrativa do município e isto vai facilitar o acesso aos recursos que podem ser usados para o desenvolvimento do setor do turismo em Belém. “Existe um recurso de R$ 70 milhões destinados à Belém, no Ministério do Turismo, mas que só pode ser liberado quando tivermos o Plano Municipal”, frisou.

Este documento trará, em outros assuntos, propostas que visem melhorar o turismo em Belém em diversos aspectos, entre eles o religioso e o ecológico. “Temos diversas manifestações religiosas, além do Círio de Nazaré, que tem um enorme potencial turístico. Sem contar as igrejas construídas por portugueses, indígenas e espanhóis em nossa cidade que podem entrar para o roteiro turístico da cidade”, enfatizou.

Alguns destes eventos religiosos os quais o titular da Belémtur se refere são a Festa de Iemanjá, em Outeiro, no mês de dezembro, e também o Louvor Norte, evento de cunho evangélico que traz centenas de pessoas para a capital paraense, todo ano. “O nosso primeiro passo depois que transformarmos o órgão em secretaria será conversar com quem forma a ‘Trade do turismo’, que são os donos de hotéis, agências de viagens e turismo e de restaurantes para definirmos outras estratégias”, concluiuFábio.

Ainda predomina o turismo de negócios

Por falar em hotéis, estes consistem em um dos patamares importantes para a fomentação e desempenho dos serviços de turismo na cidade. Atualmente, Belém é a segunda capital do Norte do Brasil que apresenta o maior número de locais para hospedagem, segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital paraense perde apenas para Manaus (AM), que tem um parque industrial que favorece a construção de novos hotéis.

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) enumera cerca de 70 unidades hoteleiras, em Belém. No ano passado, o número de leitos disponíveis ficou em 11.756. Baseada nos registros de hospedagem, a ABIH considera que a presença de turistas está diretamente ligada ao turismo de negócios, pois aproximadamente 95% dos que se hospedam nos hotéis da cidade estão participando de algum congresso, seminário, evento esportivo, encontros empresariais e convenções.
Os 5% restantes são referentes ao turismo de lazer – o que é considerado pouco diante do potencial turístico que a “Cidade das Mangueiras” possui.

A Companhia Paraense de Turismo (Paratur) incluiu Belém no planejamento de promoção e divulgação do turismo este ano. A meta é que dentro de três anos, quando a cidade completar 400 anos, ela seja a principal referência de destino turístico na região. A campanha de divulgação faz parte de outro objetivo maior que é o de tornar o Pará o destino mais procurado até 2020.

Um dos direcionamentos desta iniciativa da Paratur é o incentivo da inclusão de Belém na rota de 22 navios Cruzeiros. A temporada começou em outubro do ano passado e deve se estender até maio deste ano. Ontem, por exemplo, o navio Aida atracou no canal de Minas, em frente à Estação das Docas. A bordo, estiveram 1.200 turistas de diversos países, como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, que puderam conhecer a cidade no dia em que ela completou 397 anos de fundação.

O desembarque estava previsto para ocorrer entre às 8h e 10h. Em solo, os estrangeiros ficaram de passar por bares, restaurantes, museus e demais pontos turísticos da cidade. Logo no porto deverão ser recepcionados por grupos folclóricos.
De acordo com o Admilson Alcântara, da Coordenação de Estudos e Pesquisas da Paratur, cada turista gasta de 120 a 150 dólares na cidade. Atualmente, cada um dólar equivale aproximadamente dois reais. No ano passado, 45.378 turistas estrangeiros passaram por Belém, se cada um deles gastou pelo menos US$ 120, somados todos os gastos eles injetaram mais de R$ 10 milhões na economia da cidade.

Os números também indicam que os turistas domésticos (nacionais) são os que mais visitam Belém. Tanto que 528.164 passeantes que visitaram Belém eram pessoas de outras cidades brasileiras.

A presidente da Paratur, Socorro Costa, informa que a meta é fechar 2013 com cerca de um milhão de turistas visitando o nosso Estado, em especial Belém, que deve funcionar como uma porta de entrada para os turistas. “Os turistas deixam divisas . Isto contribui para a geração de empregos”, apontou.
No ano passado, o turismo foi responsável pela geração de 20 mil novos postos de trabalho.

(Diário do Pará)

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