PT e DEM juntos em uma mesma chapa para concorrer à mesa-diretora da Assembleia Legislativa do Pará (AL) pode até soar espantoso, mas se depender do candidato da bancada governista, Márcio Miranda (DEM), essa anteriormente improvável aliança política poderia dar certo.
Miranda se reuniu, ontem à tarde, com os deputados petistas e com o presidente do partido no Pará, João Batista Silva. “Expus o meu plano de trabalho, que tem como foco a valorização do parlamento e do parlamentar e disse que tem vaga na chapa para eles”, informou o candidato governista.
Por outro lado, segundo o deputado Carlos Bordalo, o PT em princípio continua em bloco com o PMDB para a disputa da presidência da AL e até agora não houve mudança. “Mas, estamos tratando da eleição de um colegiado de 41 deputados. Não vemos nenhuma barreira para se travar um programa político conjunto com DEM e PSDB. Não deixaremos de ser oposição por isso”, assegura Bordalo.
Porém, somente na terça-feira, 22, alguns dias antes da eleição da mesa-diretora da AL, é que o partido apresentará sua decisão final sobre quem apoiará, após nova reunião, desta vez apenas com a bancada petista e seus dirigentes.
Márcio Miranda solicitou a reunião ao PT e ontem apresentou um programa para a AL. Ele disse ainda que a reunião com o PT em busca de apoio foi um gesto de um candidato que não poderia abrir mão da bancada petista.
ITENS
Porém, para apoiar o candidato do DEM, segundo Bordalo, o PT quer o comprometimento de itens que não abre mão e que tem sido críticos, como acabar com o voto secreto, por exemplo. “O cidadão quando vota em um deputado, quer saber a posição dele no parlamento”, justifica Bordalo.
Ele explica que o PT propôs aos dois candidatos - Martinho Carmona (PMDB) e Márcio Miranda (DEM)-, uma agenda comum, voltada para todo o Pará, contendo propostas para as principais demandas do Estado. Por exemplo, um plano de desenvolvimento para a região do Marajó.
Quanto à aliança política com os principais adversários na AL, Bordalo diz que a sociedade cada vez mais está entendendo que no plano parlamentar não se trava luta partidária. “Agora mesmo o PSDB acaba de anunciar apoio ao candidato do PMDB no Congresso Nacional. No Pará, PSDB e DEM tinham acabado de perder eleição para o PT e apoiaram o candidato Domingos Juvenil (PMDB). O padrão de relacionamento nas eleições de casas legislativas é diferente da campanha partidária política”, justifica.
(Diário do Pará)
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