Há uma semana, cerca de 400 famílias invadiram uma área pertencente à prefeitura que estava cedida para a Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa), mas há pelo menos 14 anos está completamente desocupada.
Ontem (14), foi solicitada a reintegração de posse e equipes da Ronda Tática da Capital (Rondac) e da Guarda Municipal de Belém estiveram no local para auxiliar na desocupação e derrubada das casas que estavam sendo construídas.
O terreno fica localizado dentro do conjunto Paraíso dos Pássaros, bairro Val-de-Cans, em Belém. Um espaço conhecido por servir para desova de corpos, e prática de outros crimes, segundo moradores. Há quase uma semana uma mulher foi estuprada e encontrada morta neste mesmo terreno. “Um terreno desocupado como esse, ele serve pra morte, mas não serve pra moradia”, afirmou Carmem Gomes. Ela diz que vive de favor e tentava um lote para morar com o marido.
O inspetor Roberto Avelar, da Guarda Municipal, esteve no local para conversar com as famílias e solicitar a colaboração delas para que a retirada fosse pacífica apesar do clima de tensão que cercava a desocupação.
O advogado Miguel Karton, representante das famílias que tentam a posse do local, também esteve presente para tentar dar início a negociação pelo terreno.
A Secretaria Municipal de Urbanismo informou que há um projeto de habitação voltado para o terreno. Ele serviria para o remanejamento das famílias afetadas pelas obras do Portal da Amazônia, e a parte restante seria sorteada para famílias da área próxima ao Paraíso dos Pássaros.
O advogado das famílias quer agora dar início a um cadastramento para que estas possam garantir os lotes que sobrarem. Porém, não foram dados prazos para o início desse projeto e o local volta a ficar sem qualquer forma de ocupação.
PMB promete projeto de habitação popular
Em nota, a prefeitura esclarece que a Guarda Municipal precisou cumprir a ordem de desocupação do terreno para dar início ao projeto de habitação previamente acordado com os moradores da área. A prefeitura de Belém informa que já existe um projeto de habitação popular concebido para o terreno em questão na área da CDP. A PMB diz ainda que “o projeto “Minha casa, minha vida” da Caixa Econômica Federal será retomado para o remanejamento de família das áreas do “Portal da Amazônia” e “Estrada Nova”. Estas famílias serão previamente cadastradas e serão contempladas com o projeto que prevê a construção de 600 unidades habitacionais.
A prefeitura acredita que é possivel aumentar das 400 para 600 habitações. “Com isso, em curto prazo, a prefeitura pretende captar um total de R$ 30 milhões necessários para o projeto”, conclui a nota.
(Diário do Pará)
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