Acompanhando o açaí, ou molhada no feijão, facilmente se vão quatro quilos de farinha de mandioca em apenas uma semana. Em uma casa habitada por apenas três pessoas, além da dona de casa Georgiane da Silva, o item tão tradicional da cesta básica paraense não pode faltar. Com a alta no preço – que, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), aumentou 115,79% em 2012 -, porém, o consumo teve que diminuir para apenas dois quilos.
Diante do preço ainda elevado do produto mais consumido na família, Georgiane cumpre o ritual de testar a qualidade na palma da mão, e embala dois quilos. O aumento apontado pelo boletim do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) foi sentido, por ela, no bolso. “É um absurdo. A gente está tentando reduzir. A gente compra só dois quilos e vê se dura três dias. Quando acaba, a gente passa um dia sem farinha... é assim”. Georgiane também sente, mês a mês, o aumento do arroz, que sofreu reajuste de 47,02%, e o feijão, que aumentou 44,67%. “Pesa muito. São coisas que a gente come sempre, por isso sentimos mais”.
Responsável pela maior participação no orçamento de trabalhadores que ganham de um a oito salários mínimos, o grupo ‘alimentação e bebidas’ responde por 34,10% da renda. De acordo com o IPC/Idesp, a alimentação também figura no segundo lugar dentre os itens que apresentaram a maior taxa de aumento no ano passado, com 15,64%, e o primeiro lugar dentre os que apresentaram a maior taxa no mês de dezembro de 2012, com aumento de 1,84%. “A alimentação sempre teve participação muito grande, desde 1968, quando começamos a mensurar o IPC. Independente do salário, os trabalhadores da RMB gastam 34% da renda só com a alimentação”, destaca a coordenadora do IPC do Idesp, Augusta Esteves Pereira.
Dentre os itens analisados no grupo ‘transporte’ – que também figura em primeiro lugar dentre os que apresentaram a maior taxa ao ano, com 23,39% -, a coordenadora destaca que o grande responsável é o transporte alternativo. “Não tem fiscalização, as pessoas cobram o que bem entendem. O transporte alternativo teve reajuste anual de 73,07%, “As pessoas buscam o alternativo porque acham que estão gastando menos, mas é o contrário”.
Dentre os grupos analisados, também recebe destaque o grupo ‘despesas e serviços pessoais’ que consta em terceiro lugar dentre as maiores taxas do ano, tendo como principais provocadores os gastos com sapateiro (55,96%), boate (19,07%) e manicure e pedicure (18,6%). Os gastos com ‘saúde e cuidados pessoais’ é destaque dentre as maiores taxas em dezembro de 2012, com 1,36% de reajuste. O grupo leva em consideração gastos com planos de saúde (28,17%) e medicamentos (11,93%).
(Diário do Pará)
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