As quadrilhas que falsificam documentos para vender planos de manejo ilegais em áreas de florestas devastadas há décadas, contando para isso com a ajuda de alguns maus servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), aos poucos e com muito trabalho estão sendo combatidas pela corregedoria ambiental do órgão.
As polícias Federal e Civil, por outro lado, têm dificultado a vida dos fraudadores. Entre novembro e dezembro passados, um esquema poderoso, que rendeu aos criminosos R$ 30 milhões, foi desmontado, com prisões de empresários, despachantes que atuam dentro da Sema, além de servidores.
Agora, um novo caso chama a atenção. O de um engenheiro florestal acusado de furtar, nas dependências do órgão ambiental, um processo no qual ele figurava como responsável técnico. Além da apuração do crime pela Polícia Civil, a corregedoria também comunicou o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-PA) sobre a conduta do engenheiro.
Segundo a corregedora Rosângela Wanzeller, a Sema apresentou provas contundentes da postura irregular e as apresentou ao Conselho para que ele tomasse as medidas cabíveis.
“Essas medidas servem para valorizar o profissional correto e honesto e, assim, separá-lo do mau profissional”, declarou Rosângela Wanzeller. Segundo a Sema, a denúncia prosperou e a penalidade foi aplicada, estando em prazo de recurso. A corregedoria aguarda o desfecho dos outros casos encaminhados. O engenheiro tem até 60 dias para recorrer da sentença.
DESARTICULAÇÃO
Um dos casos investigados pela polícia e que provocou procedimento interno na Sema envolve a desarticulação de uma quadrilha e suspeitos de integrá-la foram presos em Belém, Breves e Paragominas, em novembro. Do esquema é acusado de fazer parte um funcionário do órgão que criava facilidades para a venda ilegal de créditos florestais, que é a quantidade de madeira em metros cúbicos autorizada para a exploração florestal.
O esquema era o seguinte: em primeiro lugar, a quadrilha falsificava documentos que davam acesso a créditos florestais de uma empresa legalizada; feito isso, os créditos eram vendidos ilegalmente para outras empresas. O funcionário da Sema que ajudava a quadrilha trabalhava no protocolo. Quem denunciou o esquema foi um empresário de Pacajá, vítima dos criminosos.
O delegado Rogério Moraes, responsável pelo inquérito, fez o rastreamento dos créditos do denunciante, descobrindo que o benefício havia sido vendido a uma madeireira de Tomé-Açu e a uma carvoaria de Moju. Para a polícia, as empresas beneficiadas com os créditos fraudulentos seriam de fachada. Um delas, porém, em apenas um ano, movimentou R$ 30 milhões.
Também corre inquérito na polícia sobre a prisão de um servidor da Sema, acusado de cobrar propina para liberar processo de manejo florestal. Com ele foram encontrados R$ 2 mil que haviam sido entregues pelo chantageado. Um celular também foi apreendido. Nele estariam gravadas as mensagens de cobrança de propina.
(Diário do Pará)
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