Após quase três horas de caminhada rumo ao Palácio dos Despachos, cerca de 300 moradores do terreno chamada CDP III, que protestavam por segurança e moradia na área localizada entre a ocupação CDP e Conjunto Paraíso dos Pássaros, no bairro de Val-de-Cans, conseguiram ser recebidos pelo major César, da Casa Militar. “Protocolamos documento com as reivindicações, que serão repassadas a chefe da Casa Civil, Sofia Feio”, afirmou Pedro Marcos Pereira, do Movimento de Apoio a Moradia do CPD III.
Até a próxima terça- feira (22), os manifestantes devem receber a resposta quanto às exigências. “Se não formos atendidos, vamos fazer uma manifestação ainda maior”, garante.
Os moradores ocuparam o terreno na semana passada, após o corpo de Zeilde Ferreira Teixeira, 19 anos, ser encontrado na área com sinais de violência sexual. A Guarda Municipal e Polícia Militar fizeram a retirada dos ocupantes e de casebres construídos no local. “É uma insegurança muito grande. Em menos de dois meses foram duas mortes. A área foi ocupada pra evitar esse tipo de violência”, conta a técnica de enfermagem Fátima Almeida, 59.
De acordo com os manifestantes, a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) reivindicou a área, que é de propriedade da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). “Viemos pedir que o Estado faça intervenção junto ao município para legalizar a situação do terreno”, disse Pereira.
Além de clamar por segurança e pedir que o terreno seja disponibilizado para pessoas que anteriormente ocuparam a área, os manifestantes pedem agilidade nas investigações da morte da jovem. “Sentimos muito pelo o que aconteceu com a Zeilde. Queremos justiça!”, afirmou a dona de casa Franciléia Amaral, 26, que tem medo de passar pelo local.
Em nota, a Prefeitura informou que “o terreno está sendo cedido pelo governo do Estado (Cosanpa) à Prefeitura de Belém para a construção de 600 unidades habitacionais”. Segundo a PMB, o processo de cessão está em tramitação.
Ainda de acordo com a nota, a atual gestão municipal vai retomar o projeto “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal e financiado pela Caixa, para o remanejamento de famílias das áreas do Portal da Amazônia e Estrada Nova.
A PMB disse que por medida emergencial de limpeza na cidade, a Guarda Municipal precisou cumprir a ordem de desocupação do terreno para dar início ao projeto de habitação previamente acordado com os moradores da área.
O projeto prevê a construção de 600 unidades habitacionais e para isso, em curto prazo, a prefeitura pretende captar um total de R$ 30 milhões necessários para o projeto.
(Diário do Pará)
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