É crítica a situação dos moradores do conjunto Parque União, no bairro do Tapanã. Eles vivem literalmente sobre a lama e os alagamentos provocados pela chuva, que enche o canal do “Mata Fome” – que corta o residencial – e invade as residências.
A rua São Vicente, por exemplo, se transformou em um verdadeiro esgoto a céu aberto e ninguém consegue conviver com o odor da água suja e contaminada. Nas portas das casas, pequenas muretas tentam barrar a invasão da água. Quando chove, ninguém sai de casa e até as crianças ficam impossibilitadas de ir para a escola.
Os moradores já perderam móveis, eletrodomésticos e agora temem o surgimento de doenças, pois a sujeira tem contribuído para o aparecimento de carapanãs, sapos, baratas e roedores.
No cruzamento com a travessa 25 de Outubro, a situação é ainda mais complexa, nem mesmo o caminhão da coleta de lixo se arrisca a enfrentar o lamaçal que tomou conta da via. De acordo com o morador Fabiano Moraes, 34, bastam apenas 20 minutos de chuva para que toda aquela área vá para o fundo.
Ele já suspendeu o piso da casa em 70 centímetros, mas mesmo assim não consegue se livrar do problema. “A situação ficou pior depois que algumas famílias começaram a construir casas às margens do canal do Mata Fome. Quando chove, ninguém pode sair de casa e tem que suspender tudo o que tem em casa”, ressaltou.
Na última quarta-feira, 16, a população do conjunto obstruiu a Rodovia do Tapanã, que dá acesso ao residencial, em protesto para chamar a atenção da Prefeitura de Belém. A dona de casa Silvana Gonçalves, 28, relatou que, quando sua mãe chegou à casa, durante a chuva, se deparou com diversas mobílias flutuando por causa do volume de água.
A situação ainda foi mais crítica para o idoso Amilton Moreira, que até a tarde de ontem ainda limpava a lama dentro de casa. Ele perdeu colchões e sofá e estava preocupado em saber onde iria dormir. “A gente chega a passar mal com esse fedor de esgoto. Até cobra já encontramos dentro de casa. Quando me mudei para cá não era assim!”, reclamou. “Que Deus nos ajude”, pediu Amilton, com os olhos cheios de lágrimas ao ver que nada pôde fazer para salvar os poucos objetos que há em sua residência de madeira e piso de terra batida.
O morador Idelson Baiano, que há 15 anos mora no Parque União, frisou que a situação ficou mais crítica na administração passada. “A gente espera que o novo prefeito faça alguma coisa, porque o outro (Duciomar Costa) não fez nada em oito anos”, criticou. Ele disse que, na quarta-feira, o nível de água dentro das casas atingiu a marca de 1,23 metro. “Na prefeitura consta que o projeto de drenagem daqui do conjunto está pronto, mas não é isso que a gente vê aqui”, frisou Baiano.
Há mais de dez anos, o conjunto passou por um processo de pavimentação de algumas vias. Na época, famílias que moravam às margens do canal foram remanejadas. Depois de um tempo elas voltaram e começaram a erguer casas novamente. Alguns moradores acreditam que estas construções estariam impedido o escoamento das águas da chuva e do esgoto para o canal.
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) reforçou que na próxima semana um mutirão de limpeza vai passar pelo bairro do Tapanã. A ação “Cuida Belém, Cuide Também” fará a limpeza e dragagem dos canais, bem como vai retirar os entulhos das ruas.
Em relação a projetos de saneamento e infraestrutura, a secretaria destacou que está em fase de planejamento e estudos para elaborar quais os projetos mais adequados para o conjunto Parque União.
(Diário do Pará)
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