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Pediatras adiam estendem prazo de negociação

Em respeito aos usuários, pediatras que prestam serviço à União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) resolveram estender o prazo de negociação com a rede por mais um mês, antes de decidirem uma possível suspensão de atividades. Após

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Em respeito aos usuários, pediatras que prestam serviço à União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas) resolveram estender o prazo de negociação com a rede por mais um mês, antes de decidirem uma possível suspensão de atividades.

Após greve deflagrada em outubro, seguindo orientação nacional, a Sociedade Paraense de Pediatria (Sopape) estava na expectativa de anunciar uma nova greve nesta sexta-feira (18). O objetivo seria pressionar operadoras de planos de saúde por melhores remunerações às consultas clínicas. A decisão foi anunciada ontem pela manhã, em coletiva de imprensa realizada na sede do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), em Belém.

A principal reinvindicação da categoria é a de que os planos de saúde cubram os procedimentos de puericultura, valor fixado em R$ 140, conforme a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Uma das principais ferramentas usadas para a prevenção de doenças, a puericultura prevê o acompanhamento sistemático e progressivo da criança ao longo do tempo, o que exige consultas mais demoradas. Questões como monitoramento de hábitos alimentares, exames básicos e estudo à predisposição de doenças estão inclusas no procedimento.

Em assembleia realizada na última quinta-feira (17), os pediatras optaram por manter os serviços. “Nós conversamos com os dois candidatos à nova gestão da Unimed e ambos se comprometeram em atualizar a tabela de pagamentos quando assumirem. Mais de 50% dos pediatras já abandonaram seus consultórios por conta da inviabilidade econômica de mantê-los. É uma situação alarmante que nos preocupa muito”, afirma Rejane Cavalcante, presidente da Sopape.

Representantes da Unidas não compareceram à assembleia. Segundo a presidente, possivelmente o atendimento nas operadoras será reduzido em cerca de 25% para que os pediatras possam ter tempo de complementar a renda com consultas particulares.

O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo Vaz, estava em Belém prestando apoio à categoria e afirma que a má remuneração é uma realidade nacional. “Nós não estamos reivindicando melhor remuneração à toa. É uma questão de sobrevivência. Hoje os pediatras estão realizando esse procedimento de puericultura de graça. Se os gestores das operadoras investissem em prevenção, teríamos menos pessoas doentes e o custo também seria reduzido”, esclarece.

De acordo com o presidente, os valores cobrados pelos planos não respondem ao serviço oferecido. “Ninguém deveria pagar plano de saúde. Está previsto na Constituição que garantir acesso ao atendimento de saúde é dever do Estado e que nossos impostos deveriam ser destinados a isso. O paciente não consegue um bom atendimento nem na rede pública, nem na rede privada. É lesado duas vezes”, observa.

O presidente do Sindmepa e membro da Comissão Estadual de Honorários Médicos, João Gouveia, diz que o problema não se restringe à classe dos pediatras. “Enquanto o número de novos usuários de planos de saúde cresce, o número de médicos credenciados diminui. Os médicos preferem atender em clínica particular que continuar recebendo os valores irrisórios que são pagos por consulta. Quem sai prejudicado são os usuários”, explica.

De acordo com Gouveia, os valores pagos pelos planos do Estado variam de R$ 35 a R$ 60, a CBHPM fixa o valor em R$ 80. No Pará, existem cerca de 450 mil usuários distribuídos entre as operadoras de planos de saúde. Tentamos contato com a superintendência Estadual do grupo Unidas, mas não obtivemos retorno nem por telefone, nem por e-mail.

(Diário do Pará)

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