Os graves e crônicos problemas da saúde em Belém não se restringem aos pacientes que dependem dos serviços públicos. Quem depende da rede privada também tem se ressentido com a falta de leitos em algumas áreas. Um dos setores que enfrentam a maior carência é o de maternidades. Nos últimos anos, vários hospitais restringiram ou excluíram em definitivo o atendimento às parturientes. A falta de opções se reflete, segundo a Associação Paraense de Ginecologia e Obstetrícia (APGO), na opção pelas cesáreas em detrimento dos partos normais, abrindo brecha para outra polêmica: o excesso de cirurgias que poderiam ser evitadas. “Realmente há poucas maternidades em Belém”, diz a presidente da APGO, Ana Conceição Pessoa. Ela lembra que há quatro anos, havia oferta maior de leitos. Vários hospitais da rede privada fecharam as portas das maternidades deixando médicos e pacientes com poucas opções. Um exemplo é a Clínica do Bebê, que foi vendida para o Estado e se tornou o hospital Jean Bitar.
Ana Azevedo diz também que hoje alguns hospitais mantêm o atendimento às parturientes, mas restringem o acesso aos médicos que têm vínculo com o hospital. “Há uma carência muito grande e isso dificulta o trabalho de parto normal”, afirmando que os médicos acabam passando por situações em que não têm onde internar pacientes prestes a dar a luz. “Se algo acontecer vão responsabilizar o médico”. Segundo ela, esse é um dos fatores para o aumento das cesáreas. “Com o parto tendo hora e data para acontecer, é possível reservar o leito. Quando a paciente entra em trabalho de parto inesperadamente a gente fica em dificuldade. O médico trás para si a responsabilidade de ir em busca do leito. Muitas vezes, a gente precisa adiar cirurgias eletivas para usar o leito, já reservado, no atendimento à parturiente”, diz, avaliando que as dificuldades tendem a aumentar porque o número de maternidades em Belém só diminui.
Para a presidente da APGO, o ideal seria que secretários de saúde do Estado, dos municípios, médicos e donos de hospitais se reunissem para discutir o assunto que começa a preocupar.
SUPERLOTAÇÃO
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de saúde do Estado do Pará, Breno Monteiro, diz que a redução de leitos para maternidades se deve à baixa remuneração para esse tipo de procedimento médico. “Isso faz com que haja um desinteresse em investir”. Ele admite que a falta de retaguarda nas maternidades privadas acaba desaguando na Santa Casa de Misericórdia, maior maternidade pública do Pará e que constantemente frequenta as manchetes de jornal por causa da superlotação. Monteiro também defende um esforço concentrado do poder público e da iniciativa privada para tentar solucionar o problema.
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