Nascido brasileiro em 3 de janeiro de 1959, com 54 anos pesando em suas costas, ele é um coroa simpático que, apesar de oficialmente aposentado, está longe de ficar de canto. Um tanto rechonchudo, com um ronco inconfundível, ele se destaca no meio dos mais novos, com seus traços genéricos e formas esguias. Lembrete de épocas em que o trânsito era menos caótico, já foi o carro mais vendido do país, nas décadas de 60 e 70. Estrela de clássico da Sessão da Tarde, o veículo é mundialmente reconhecido por “Se Meu Fusca Falasse”, de 1968. Apesar de suas glórias estarem no passado, a nostalgia de rodar em um Fusquinha ainda nutre afetos nos quatro cantos do Brasil. Hoje, a Associação de Fuskeiros e Derivados do Pará (AFDP) irá realizar mais uma carreata em homenagem ao mês de aniversário do carro popular mais popular de todos.
“Eu tava indo para o sítio que a gente tem em Benfica e percebi que o carro tava estranho. Quando eu notei, vi que a bateria tinha ficado lá pra trás e que o fundo do Fusca tava furado! A gente catou a bateria, colocou pau, tapou o buraco e foi em frente”. A narrativa da técnica em mineração Amélia Parente, 56 anos, é apenas um dos relatos interessantes em meio às histórias dos cerca de 80 membros que compõe a AFDP. Pessoas de idade, classe social e profissões variadas que celebram juntas a mesma paixão. Os motoristas garantem: os contratempos são poucos e, na maior parte do tempo, os Fusquinhas não os deixam na mão.
Amélia de Campos, 24 anos, geóloga, há um mês adquiriu o primeiro Fusca. Influenciada diretamente pelo carinho da mãe por carros antigos, ela se diz apaixonada pelo Volks conhecido por ser capaz de rodar quilômetros sem um pingo de água. “Qualquer um pode mexer no Fusca. A mecânica dele é muito básica. Além disso, tu ainda encontras muitas peças originais para vender. É um carro prático, super-econômico e seguro, porque não chama atenção”, pontua. Longe de ser alvo de preconceitos, Amélia afirma que o carro chama muito mais atenção por ser interessante do que por ser velho. “Por enquanto, eu não penso em ter outro. Pretendo ficar com ele até o fim”, diz.
‘Fusqueata’ sairá do Polo Joalheiro
Nascido muito antes de Amélia, o aposentado José da Silva, 80 anos, é um dos associados mais velhos do grupo. Como o carrinho que exibe, “seu Ceará”, como é mais conhecido, não se deixa abater pelo tempo e esbanja energia. “Meu filho queria que eu me desfizesse do Fusca e desse o dinheiro pra ele. Aí ele me daria o Siena que queria vender. Falei pra ele: ‘nem pensar, pode ficar com seu carro’”, conta.
O motorista de ônibus Ronaldo Trindade, 43, só em 2009 conseguiu realizar o sonho de infância e comprar um Fusquinha. O presidente da AFDP não esconde a satisfação de promover o uso do carro que, desde criança, recebe sua admiração.
“Na Associação nós trabalhamos juntos e cada um ajuda um pouco como pode. Quando a gente roda neles, o pessoal chega e vem dar parabéns pelo carro. Pra mim é um orgulho. O importante não é o carro em si, é o amor pelo carro”, esclarece Ronaldo.
A programação de hoje está prevista para começar oito horas da manhã e é aberta a todos os interessados. A concentração será na Praça Amazonas, em frente ao Polo Joalheiro, e de lá a “fusqueata” seguirá pela Nova Orla.
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