“Bastam uns vinte minutos de chuva forte para que tudo isso aqui vá para o fundo”, disse a dona de casa Daya Serrão, que mora há 28 anos na travessa Vileta, no bairro do Marco. O local é conhecido porque, quando chove, o canal transborda, a água invade as casas e provoca inúmeros transtornos.
Este cenário se repete em diversas outras partes de Belém. Segundo a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), Belém possui 650 pontos de alagamentos, dos quais 15% são considerados críticos. Por causa disso, neste primeiro trimestre, a Sesan iniciou uma ação de limpeza de canais e ruas, a fim de diminuir os impactos provocados pelos alagamentos. Este programa emergencial conta com um recurso próprio de R$ 30 milhões.
No Parque União, no Tapanã, por exemplo, não precisa chover para que ocorram alagamentos. Lá, as ruas já se transformaram e em algumas partes os moradores não podem sequer sair de casa sem ter que atolar os pés na lama. Na semana passada, a estudante Andréia de Oliveira, 22, chegou em casa, na rua São Vicente, e ficou surpresa ao ver que água atingiu 23 centímetros de altura dentro do imóvel.
Andréia convive com um imenso esgoto a céu aberto na rua em frente à casa dela e, em dias de chuva, precisa caminhar pelo terreno da vizinha até chegar em “terra firme”. Nem mesmo caminhões, inclusive os da coleta de lixo, se arriscam a enfrentar o lamaçal e o mato. “Agora a gente vive com medo e qualquer chuva que começa a gente já começa a suspender os móveis”, reclamou.
O casal Ivaldo e Lene Carvalho ressalta que, em virtude dos alagamentos, até mesmo os ônibus deixaram de circular por algumas vias do conjunto. “O final da linha do Cordeiro de Farias – Presidente Vargas, antes, era aqui. Agora a gente tem que andar até o Cordeiro para pegá-lo”, ressaltou Ivaldo, caminhando com cuidado entre a lama.
Na Vileta, muitas casas possuem uma pequena mureta de proteção para tentar barrar a invasão da água do canal. A maioria destes domicílios também possui o piso levantado, algumas em até mais de um metro de altura.
“É complicado viver assim, pois quando começa a chover ficamos impedidos até de usar o banheiro de casa porque a água, quando não entra pela porta da frente, entra pelo ralo e suja tudo. É uma água suja, fedorenta, totalmente contaminada”, relatou Daya.
Sentar em frente de casa para ter alguns minutos de prosa com os vizinhos só é possível quando não chove ou quando o canal não está cheio.
CANAIS
Os canais da Vileta, Timbó e Mariz e Barros, que fazem parte do que a Sesan chama de cota baixa do bairro do Marco, estão entre os pontos críticos levantados pela Sesan. Eles também são objetos de estudo para um planejamento de projetos que pretendem amenizar os problemas dos alagamentos em canais e ruas de Belém.
O titular da Sesan, Luiz Otávio Mota, reconhece que somente a limpeza dos canais e de algumas vias não é a solução para os problemas, por isso, a prefeitura começou a elaborar estudos técnicos. “Estes alagamentos estão concentrados em áreas que não receberam o cuidado devido”, alegou.
“É um momento muito difícil porque é sofrido ver a população perder móveis e eletrodomésticos porque tiveram a casa invadida pela água. A ação de limpeza que começamos pretende diminuir estes transtornos”, disse o secretário. São vários os fatores que motivam os alagamentos, entre eles a obstrução dos canais e esgotos pelo lixo, o assoreamento dos igarapés e também a demora para a realização de obras de drenagem profunda.
“A macrodrenagem é uma obra importante que poderá resolver o problema de alagamentos em diversos trechos da cidade”, esclareceu Mota. Os constantes alagamentos que acontecem na Mundurucus, Apinagés e Caripunas, por exemplo, sofrem influência do canal do Tucunduba.
Para o secretário, é importante que a educação ambiental seja um tema melhor explorado por toda a população, que deve deixar de jogar lixo na rua, pois os entulhos nas margens dos canais prejudicam o escoamento da água e favorece as inundações.
PRINCIPAIS PONTOS DE ALAGAMENTOS LEVANTADOS PELA SESAN
Travessas Vileta, Mariz e Barros e Timbó
Alcindo Cacela
- Com Mundurucus
- Com Padre Eutiqueo
- Entre Bernal do Couto e Oliveira Belo
Passagem Bulgarim
Passagem Mucajás
Passagem Orquídeas
Passagem Umariz
Bernardo Sayão
- Entre Fernando Guilhon e o canal da Quintino
Celso Malcher
-Entre canal do Tucunduba e rua São Domingos
Conselheiro Furtado
- Com Roberto Camelier
- Entre Barão de Mamoré e Guerra Passos
João Paulo II
- Entre a passagem Gaspar Dultra e passagem Elvira
Marques de Herval
- Com Chaco
Pedro Álvares Cabral
-Com D. Pedro I
Pedro Miranda
- Entre Mauriti e Mariz e Barros
- Com Antônio Baena
Perimetral
- Entre Barão do Triunfo e Perebebuí (Serpro)
Senador Lemos
- Com D. Romualdo Coelho
- Entre São Pedro e canal do Galo
Conjunto Benjamim Sodré
- Rua Jandaia
Conjunto CDP
- Avenida Tucano
Augusto Montenegro
- Com passagem 2 de Junho
-Com Área do Riso
- Com rodovia Mário Covas
-Com rua das Andorinhas
- Com residencial Castro Moura
- Com Pedro Álvares Cabral e canal Água Cristal
-Entre São Jorge e passagem Astronauta
- Próximo ao Sest/Senat
Rodovia do Tapanã
- Entre Haroldo Veloso e rua São Clemente
Antônio Everdosa
- Com Timbó
Barão de Igarapé Miri
- Com José Bonifácio
Caripunas
- Entre Tubinambás e Apinagés
Rua da Yamada
Rua D. Pedro
- Entre avenida Brasile canal Ariri Bolonha
Fernando Guilhon
- Com Generalíssimo
- Com passagem Carlos Alberto
- Com Apinagés
- Com Bom Jardim
- Com Carlos de Carvalho
- Com Honório José dos Santos
- Com Tupinambás
Travessa de Breves e Bernardo Sayão
Rua São Domingos
- Com passagem Rui Barbosa
Rua São Pedro
- Entre Conjunto Xingu e avenida Brasil
Rua Timbiras
- Entre Apinagés e Pe. Eutiquio
Travessa 14 de Março
-Entre Curuçá e José Pio
9 de Janeiro
- Com rua dos Mundurucus
- Entre Magalhães Barata e José Malcher
Travessa Apinagés
- Com a rua Lauro Malcher
- Com São Miguel
- Com Tembés
Travessa Berredos
-Entre 2 de Dezembro e Itaboraí
Travessa D. Pedro I
-Com a rua Curuçá
Travessa D. Romualdo Coelho
- Entre Pedro Álvares Cabral e Municipalidade
Travessa Mauriti
- Com Perimetral
- Com canal da Leal Martins
- Com Timbó
Padre Eutiquio
- Entre Lauro Malcher e canal da Quintino
Quintino Bocaiúva
- Entre as ruas Mundurucus e Pariquis
FONTE: SESAN
(Diário do Pará)
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