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Cartas são raridade na rotina dos carteiros

De camisas amarelas, calças azuis e carregando uma bolsa de até 10 Kg, eles percorrem longas distâncias para deixar pacotes e papéis diversos nos destinos apontados pelos remetentes. Os carteiros, cujo dia é comemorado hoje, são responsáveis por 8.5

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De camisas amarelas, calças azuis e carregando uma bolsa de até 10 Kg, eles percorrem longas distâncias para deixar pacotes e papéis diversos nos destinos apontados pelos remetentes. Os carteiros, cujo dia é comemorado hoje, são responsáveis por 8.542.267 entregas mensais de cartas e 196.205 encomendas. “Parece sofrível andar de 20 a 30 Km com esse peso, mas ao longo do caminho vai esvaziando”, avalia o carteiro Denison Eudes, 29.

Há oito anos na função, Denison já passou por alguns aperreios, como o “acidente de trabalho” que amedronta a categoria – ser mordido por um cachorro. “Sempre batia na porta e ele vinha, mas como tinha uma tela, eu estava protegido. Até que um dia, de tanto tentar, ele furou a tela e veio pra cima de mim”, lembra. Para não correr o risco de ser pego novamente pelo vira- lata, Denison agora deixa as correspondências na casa vizinha. “A dona viu e achou melhor que eu deixasse lá pra ela pegar”.

Outro medo constante dos carteiros, sobretudo dos que trabalham em áreas periféricas, é a possibilidade de assaltos. A entrega de encomendas compradas pela internet e os pacotes com cartões de créditos atraem olhares mal intencionados. “Tenho um colega que trabalha na Cidade Velha que já foi assaltado três vezes”, conta.

A compra online de eletrônicos, celulares, tablets, notebooks e câmeras digitais chega via Correios. Mas a entrega não é feita porta a porta em todos os locais. “Eles (ladrões) sabem que agora a gente tá transportando coisas de valor. Mas tem ruas do Jurunas, Guamá e Terra Firme onde os carteiros não entregam mais. Eles deixam as encomendas restantes em posto, na própria agência, e o cliente vai lá buscar”, afirma Denison.

As correspondências que expressam sentimentos em linhas são minoria. “Hoje em dia é mais cobrança. Não tem mais aquelas cartas de amizade, de namoro”, compara o carteiro. “Ou é cobrança ou é documento que o pessoal manda por Sedex”, completa.

Receber cartas, pedidos e pacotes pode ser algo rotineiro. O contato constante resulta no “bom dia” seguido de sorrisos e algumas histórias relatadas e ouvidas. “No comércio, área onde atuo, tem muitos idosos e eles gostam de conversar e recebem a gente muito bem”, nota o carteiro que sente-se valorizado profissionalmente. “Acho que as pessoas dão valor sim. Em época de greve então, eles sentem muita falta”.

EM NÚMEROS

8,5 mi

De cartas e mais 196.205 encomendas são entregues por mês no Pará, pelos 1.262 carteiros que trabalham no estado

(Diário do Pará)

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