Seis meses é o prazo para a implantação do Plano de Gestão Integrada de Resíduos da Área Metropolitana – a discussão está sendo feita conjuntamente entre técnicos da prefeitura e a Universidade Federal do Pará -, mas enquanto isso não ocorrer não se sabe como ficará o grave problema de tratamento das 1.800 toneladas de lixo produzidas diariamente pelas mais de 450 mil residências de Belém e Ananindeua. O lixão do Aurá, a céu aberto, para onde vai todo o lixo da capital, já deveria ter sido fechado há muito tempo, porque esgotou sua capacidade de armazenamento de lixo e, pior ainda, espalhou contaminação pelo lençol freático e nos rios de todo o seu entorno.
Esse lixão só não foi desativado devido a inexistência de novas áreas em condições de receber os resíduos. Isso, porém, terá de ocorrer até 2014, por imposição da nova política federal de tratamento dos chamados resíduos sólidos. Belém está na contramão das recomendações quanto ao destino de seu lixo, embora ainda disponha de tempo para corrigir os erros do passado.
A proposta do sistema de gestão do lixo feita pelo atual secretário municipal de Saneamento, o engenheiro Luiz Otávio Mota Pereira, enfatiza um modelo tecnológico moderno, baseado na integração entre as várias fases do projeto, principalmente na coleta diferenciada, com as várias formas de tratamento e destino final. Ele argumenta que nesse sistema de gestão “é imprescindível a mobilização popular permanente”.
Outra preocupação é com o fortalecimento institucional do setor de limpeza urbana do município, além da atualização e formação de recursos humanos. Segundo ele, a prefeitura deve analisar fontes de recursos orçamentárias ou não, assim como parcerias com outros setores da sociedade, inclusive as empresas privadas, buscando solução duradoura e sustentável para Belém.
ESTUDO
Com as chuvas intensas que têm caído em toda a região metropolitana de Belém em decorrência do inverno amazônico, o que deve se prolongar até maio, dois problemas se apresentam no lixão do Aurá: um é o ambiental, enquanto o outro, social. Os caminhões com o lixo têm dificuldade para subir nas rampas e descarregar o que foi recolhido nas ruas. Boa parte do lixo acaba jogado pelas laterais dos acessos. Foi por causa disso que ficou estabelecida a cota de 20 metros no final do projeto de biorremediação do lixo.
Um estudo do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) condenou a ideia da prefeitura de colocar mais 10 metros de lixo, aumentando a cota do Aurá. De acordo com entendimento dos técnicos, o local já está imensamente impactado e aumentá-lo poderá contribuir para maior contaminação do lençol freático.
O segundo grande problema do lixão é que se ele for fechado, cerca de 1.000 catadores que dele tiram o sustento ficarão sem uma fonte de renda. A empresa que hoje administra o lixão chegou a proibir a permanência deles no local. Até protesto já fizeram, avisando as autoridades que não irão ficar de braços cruzados, passando fome com seus familiares. “A gente tem nossos filhos, que precisamos sustentar. Se fechar isso aí, vamos viver de quê?”, questiona a catadora Nilza Santos. “Para ficar sem trabalho prefiro morrer”, acrescentou José Barbosa.
PROMESSAS
Os catadores tiveram a promessa do secretário Luiz Otávio Pereira de que eles terão todo o amparo legal para que a categoria não deixe de exercer a atividade. “As soluções são muitas e só poderão ser dadas com a implantação do Plano de Gestão Integrada de Resíduos da Área Metropolitana, que já está sendo discutido em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA)”, informou Pereira. Para ele, já é possível prever que o fechamento do Aurá torna necessário que sejam criadas outras áreas de destinação do lixo, além de novos galpões de triagem, como o que já existe no canal São Joaquim, onde é feita a separação de materiais recicláveis.
Quem trocou o lixão pela coleta seletiva porta a porta não tem do que se queixar. Houve melhoria na renda e na qualidade de vida. Cerca de 200 pessoas estão hoje nessa atividade. Há necessidade de aumento da mão de obra, o que deve tirar outras centenas de catadores do lixão. Enfim, uma luz no fim do túnel.
(Diário do Pará)
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