plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Crime ambiental: pichação ainda resiste

Basta prestar atenção em Belém. Nos muros, portas, portões, janelas, riscos, cores, nomes desconhecidos, símbolos complicados, siglas. As pichações estão espalhadas pela cidade. Paredões que dormem pintados acordam pichados. Em geral, poucos gostam, mas é

twitter Google News

Basta prestar atenção em Belém. Nos muros, portas, portões, janelas, riscos, cores, nomes desconhecidos, símbolos complicados, siglas. As pichações estão espalhadas pela cidade. Paredões que dormem pintados acordam pichados. Em geral, poucos gostam, mas é justamente a vida nas grandes urbes que faz brotar movimentos como esse.

Meck é um nome inscrito em muitas paredes de Belém. Ele é pichador há 16 anos. Um trabalhador comum, pai de família, que usa as madrugadas para viver outras emoções. “É muito bom ver o que a gente faz em algum lugar, nossa arte, porque eu considero, sim, a pichação uma arte. E a adrenalina do momento também dá mais vontade de fazer”, revela. O local escolhido aparece de repente. “A gente está na rua e vê alguém pintando uma parede. Aí já sabe que ali pode virar uma tela: liga para um amigo e avisa”, conta. As ações são feitas nas madrugadas.

Mais um nome lido em muros - especialmente nos mais altos e, recentemente, em uma antena de uma emissora de televisão local -, Soax é outro pichador. “Eu gosto dos locais mais altos. Subo porque a adrenalina é maior. Já subi até com a mão fraturada. Nesse dia que subi na antena da TV foi a primeira vez que tive medo de altura. O vento era muito forte e ainda tinha a cerca elétrica”, relata.

Meck e Soax garantem que hoje a maioria dos grupos de pichadores não atua mais como as gangues violentas do passado. “Hoje a gente nem chama mais de gangue. São as galeras. A gente se encontra nas festas de meedback e se reúne no réu [encontro] para falar do que e de onde pichamos. É claro que ainda há as gangues ligadas à criminalidade, mas muita gente que era dessa época morreu”, contam.

Uma caixa com seis sprays custa cerca de R$ 70. “Um risco meu acaba com uma lata”, garante Soax. Para Meck, é mais lucrativo comprar o spray. “Injetar tinta no spray dá muito trabalho, não compensa, mas funciona da mesma forma”.
O hobby é uma infração. E eles sabem disso. “Já me pegaram quando eu estava voltando de Mosqueiro. Paramos no caminho para pichar umas ‘telas’. Tive que ir à delegacia”, conta Meck. O delegado Marcos Lemos, da Divisão Especializada em Meio Ambiente (DEMA), lembra que a lei é muito clara. “O Código Penal prevê o crime de dano simples e de dano qualificado. Mas a Lei de Crimes Ambientais já prevê pichação como crime.

Diz que pichar, grafitar ou conspurcar uma edificação ou monumento urbano, se o ato for realizado em monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, pode dar pena de seis meses a um ano de detenção e multa”.
O delegado ressalta que o crime contra o meio ambiente é um crime contra a coletividade. “Se você quer pichar o muro da sua casa, você pode. Mas se o desenho for ofensivo ou incomodar outra pessoa, ela pode reclamar, e aí isso será avaliado.

RISCOS

Um estudo do Imazon sobre pichações publicado ainda em 2007 já apontava: nas vias públicas de maior circulação na Grande Belém, no início da década passada 35% eram ‘ocupadas’ pelos rabiscos de paredes e todo tipo de ‘tela’ possível do espaço público.

Em 2006, a frequência caiu para 27% - embora se mantivesse em um percentual ainda muito alto. O estudo apontava que muitas edificações estavam com as fachadas totalmente rabiscadas ou sofreram com várias outras intervenções dos pichadores.

Segundo o Imazon, das 13 praças históricas da capital, dez eram pichadas. À época, na avenida Almirante Barroso, mais de 50% das edificações estavam na mesma situação.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!