Que cor combina mais com o Mercado de Ferro do Ver-o-Peso? Azul, verde ou salmão? Hoje, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai divulgar o resultado da votação que foi lançada no último dia 17 para a escolha do novo revestimento do mercado.
Segundo informações do instituto, a escolha das cores concorrentes foi estabelecida a partir de uma pesquisa de imagens e pinturas antigas do prédio. Nela foi comprovado que o espaço já teve diversas cores em seu revestimento, entre elas amarelo, salmão, verde, azul e cinza.
A votação que ocorreu no site www.ufpa.br/cma/verosite/ entre 17 e 24 deste mês dividiu opiniões. Queirós Jucá, 57, morador do entorno, acredita que a melhor cor para o mercado seria o salmão. “Porque é uma cor que representa as mulheres. Seria uma bela homenagem a elas, que comandam tudo”, explica.
Já o carregador Gilberto Silva, 43, prefere o azul. “Esta é a cor principal do mercado há muitos anos, é a mais bonita e minha cor preferida, defende. O pescador Daniel Pereira, 45, arremata: “Tem que ser verde, pois verde é a cor da esperança”.
Seja azul, verde ou salmão, a expectativa de todos é que o mercado mantenha a beleza de um dos principais cartões postais da cidade, como afirma Queiroz Juca: “O Ver-o- Peso é lindo, adoro este lugar. E o Mercado de Peixe também. Cada um tem preferência em relação a cor, mas no final o que todos querem é que ele fique cada vez mais bonito”.
RENOVADO
Foi com a intenção de preservar a beleza e funcionalidade deste patrimônio histórico que em Janeiro de 2012, o Iphan deu início à obra de restauração e conservação do Mercado de Peixe, atendendo a demanda dos próprios trabalhadores locais. A reforma começou com reconstrução da cobertura com redimensionamento do sistema de calhas e condutores; instalações elétricas e iluminação com implantação de para raios; instalações hidrosanitárias com implantação de sistema de tratamento de esgoto e melhorias nos banheiros; e instalação de câmara frigorífica para conservação e estoque mínimo de gelo para as cubas de inox onde o pescado é exposto para venda; além de restauração dos elementos de ferro que se apresentavam muito oxidados e deteriorados.
Para que o mercado não fosse fechado, foi acordado com a Secretaria Municipal de Economia, os peixeiros e os lojistas, que a obra se daria em duas etapas. A finalização da obra na primeira metade está planejada para março, quando será iniciada a parte restante. Para o remanejamento provisório de alguns comerciantes durante as obras a prefeitura cedeu o Solar da Beira.
Ao realizar as prospecções e cortes estratigráficos no local, os técnicos verificaram que uma intervenção anterior havia utilizado um processo de jateamento no ferro causando a perda de referência cromática. Por este motivo Iphan apresenta uma proposta de construção compartilhada com a população, de forma a preservar e valorizar o patrimônio arquitetônico.
Joia arquitetônica em franca interação com a Belém atual
Inaugurada em 1625 no antigo Porto do Pirí, a Casa de “Haver o Peso”, que inicialmente era apenas um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, viria a constituir um grande mercado aberto. Ao longo do tempo sofreu diversas modificações, inclusive para se adaptar à necessidade e gostos da Belle Époque, período de cultura cosmopolita que, segundo alguns autores, iniciou no fim do século XIX e durou até a Primeira Guerra Mundial. Nesse período o Ver-o-Peso passa por uma grande reforma. O Mercado de Carne recebe o segundo pavimento e o pavilhão de ferro, enquanto que o Mercado de Peixe é construído junto à doca. Os dois mercados integram um complexo arquitetônico e paisagístico de 25 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas: a Doca, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo, o Mercado da Carne, o Mercado de Ferro, a Praça do Pescador, a Praça do Relógio e o Solar da Beira.
Em 1897, a empresa La Rocque Pinto & Cia venceu a concorrência para a construção do Mercado de Ferro, edifício exemplar do período artístico da Belle-Époque, seguindo a tendência francesa de art nouveau. Toda a estrutura em forma de dodecágono do Mercado foi importada da Europa, pesando aproximadamente 1.133.389 toneladas, e feita em zinco veille-montaine. No ano de 1892 a obra teve início, sob a responsabilidade dos Engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana, que montaram todo o conjunto no local, uma vez que o Mercado foi comprado de firmas de Nova York (USA) e Londres (Inglaterra). Em 1901 o Mercado foi inaugurado, mas inicialmente funcionava apenas com a venda de produtos diversificados.
O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN e inscrito no Livro do Tombo Histórico no ano de 1977. Passou por restauração em 2006, que englobou o Mercado de Carne, áreas adjacentes e o Mercado de Peixe.
ENTENDA
ESCOLHA
- O Iphan divulga hoje o resultado da votação para a escolha do novo revestimento do Ver-o-Peso.
CORES À VISTA
- As cores concorrentes se baseiam em pesquisa histórica;
- Amarelo, salmão, verde, azul e cinza já revestiram o mercado no passado
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar