A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) está trabalhando, em São Miguel do Guamá, no combate à mandarová, espécie de lagarta que ataca as lavouras de mandioca no município, destruindo a massa verde da planta comprometendo economicamente até 80% da produção.
Conforme dados da Emater, cinco dias é o suficiente para que a lavoura infectada tenha as folhas totalmente consumidas. A praga é resultado da desova de uma borboleta que chega a depositar até 30 ovos por galho, que eclodem em três dias formando a larva. A destruição da massa verde evita que a planta faça a fotossíntese, estacionando o desenvolvimento do tubérculo. O período de chuva constante ajuda na proliferação da lagarta.
O agricultor Jeremias Silva, da comunidade São José, conseguiu controlar a praga na lavoura dele, mas mostra com tristeza o resultado de poucos dias de ação da mandarová em uma área próxima. “Esse vizinho mora longe da lavoura e quando percebeu já não dava mais tempo de agir. Essa roça tinha pelo menos oito meses. É muito triste”, lamentou o agricultor. A mandioca está pronta para ser utilizada a partir de 16 meses de plantio.
A Emater trabalha orientando os agricultores no desenvolvimento de um antídoto que elimina a lagarta, na tentativa de fazer o controle da praga. A fórmula utiliza o próprio inseto, já morto e depois de contaminado pelo vírus identificado por baculovírus, único predador da mandarová. A empresa garante a eficácia do produto, desde que aplicado no estágio inicial da infestação ou em áreas novas de plantio.
Outra orientação técnica oferecida aos agricultores é o monitoramento diário da lavoura. O acompanhamento, que deve acontecer pelo menos duas vezes ao dia, ajuda a identificar um possível ataque. “Encontrando alguma larva, o agricultor pode fazer a limpeza manualmente e quebrar o ciclo de reprodução”, disse o técnico em agropecuária da Emater, Odiwaldo Portela.
Os procedimentos adotados priorizam a eliminação da praga sem a utilização de produto químico, melhorando a qualidade do produto e evitando prejuízos ao solo. Em São Miguel do Guamá, município responsável pela terceira maior produção de farinha do Pará, a Emater orienta os agricultores à investirem na produção agroecológica.
(DOL, com informações da Agência Pará)
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