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Mercado de Ferro continuará azul após reforma

Com 57% de todos os votos, a população paraense e internautas de todo o Brasil escolheram manter a cor azul para o Mercado de Ferro, popularmente conhecido como Mercado de Peixe, no Ver-o-Peso, em Belém. A votação que foi lançada pelo Instituto do Patrimô

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Com 57% de todos os votos, a população paraense e internautas de todo o Brasil escolheram manter a cor azul para o Mercado de Ferro, popularmente conhecido como Mercado de Peixe, no Ver-o-Peso, em Belém. A votação que foi lançada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com o apoio do Centro de Memória da Universidade Federal do Pará – UFPA, foi realizada no período de 17 a 24 deste mês.

Das 3.200 participações computadas, o azul ficou em primeiro lugar com 24% dos votos. Em segundo lugar, com 28% dos votos ficou o verde e o vermelho em último, com 15% dos votos.

“Ficamos muito surpresos com o interesse do público em participar da votação. As pessoas querem opinar pois o patrimônio faz parte da sua história”, afirma a arquiteta e urbanista do Iphan, Paula Rodrigues.

O processo participativo surgiu durante a obra de restauração e conservação do mercado, realizada em 2012 pelo Iphan, que, ao aplicar uma pintura de cor laranja anticorrosiva nos elementos de ferro, houve manifestações contrárias da população que acreditava ser a cor utilizada para o acabamento. A principal alegação era que a cor “original” do Mercado, supostamente o azul, deveria ser mantida.

Para o Iphan, a expressiva participação dos internautas e os resultados obtidos na pesquisa reforçam que o Mercado Ver-o-Peso é, de fato, um importante patrimônio cultural de Belém e do Brasil, merecendo o título de principal cartão postal da cidade. “A população deu uma explicação para a escolha, e a maioria foi porque o azul já faz parte da sua história. Muitas pessoas lembram que avós, pais os levavam pra lá quando crianças. Então eles querem guardar essa memória”, explica Paula.

Desde o início da pesquisa, o corpo técnico do Iphan já esperava a predominância do azul em relação às outras cores, uma vez que, há muitos anos esta cor vem sendo usada e já se integrou à percepção da paisagem e faz parte das lembranças e da memória social da cidade. De acordo com o Instituto, há uma forte identificação e tradição da população com a paisagem do Ver-o-Peso.

A análise possibilitou conhecer melhor a importância e o significado das cores no imaginário da população, defendendo a “tradição” e a resistência a mudanças quando se trata de elementos do patrimônio histórico.

O azul também foi associado aos dois principais times de futebol do estado. A cor verde teve sua indicação e aceitação respaldadas na associação com características regionais e ecológicas, tais como Amazônia, florestas e as mangueiras da cidade. O vermelho foi associado à cor do açaí, a pele morena e a bandeira do Pará, denotando uma postura de ousadia, inovação e modernidade.

A escolha das cores concorrentes foi estabelecida a partir de uma pesquisa de imagens e pinturas antigas do prédio. Nela foi comprovado que o espaço já teve diversas cores em seu revestimento, entre elas amarelo, salmão, verde, azul e cinza.

Em fevereiro o Iphan iniciará o teste de tons de azul no mercado. “Até então os testes estavam sendo feitos em papeis e muros. Agora iremos iniciar no próprio mercado pra ver qual tom fica melhor”, explica Paula.

RENOVADO

Em janeiro de 2012, foi dado início à obra de restauração e conservação do Mercado de Peixe, atendendo a demanda dos próprios trabalhadores locais. A reforma começou com reconstrução da cobertura com redimensionamento do sistema de calhas e condutores; instalações elétricas e iluminação com implantação de para raios; instalações hidrosanitárias com implantação de sistema de tratamento de esgoto e melhorias nos banheiros; e instalação de câmara frigorífica para conservação e estoque mínimo de gelo para as cubas de inox onde o pescado é exposto para venda; além de restauração dos elementos de ferro que se apresentavam muito oxidados e deteriorados.

Para que o mercado não fosse fechado, foi acordado com a Secretaria Municipal de Economia (Secon), os peixeiros e os lojistas, que a obra se daria em duas etapas. A finalização da obra na primeira metade está planejada para março, quando será iniciada a parte restante. Para o remanejamento provisório de alguns comerciantes durante as obras a prefeitura cedeu o Solar da Beira.

Ao realizar as prospecções e cortes estratigráficos no local, os técnicos verificaram que uma intervenção anterior havia utilizado um processo de jateamento no ferro causando a perda de referência cromática. Por este motivo Iphan apresenta uma proposta de construção compartilhada com a população, de forma a preservar e valorizar o patrimônio arquitetônico.

(DOL, com informações do Iphan/PA)

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