Hoje, no dia em que é celebrado o Dia da Visibilidade Trans, o Pará terá Symmy Larrat como representante em Brasília. Mas dessa vez não para engrossar as estatísticas por tráfico de seres humanos. A paraense é a primeira travesti nomeada para um cargo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Hoje ela será apresentada na programação oficial ao público que representa na última letra da sigla LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis e Transgêneros.
Segundo dados do Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta), que Symmy ajudou a fundar, 95% das travestis e transexuais de Belém encontram a prostituição como única ocupação profissional. “Há muito tempo que o público trans reivindica uma política da secretaria voltada para elas, o que sensibilizou a ministra Maria do Rosário. E dentre quadros de todo o país escolheu a Symmy, pelo histórico de luta dela”, afirmou Gustavo Bernardes, coordenador geral de promoção dos direitos LGBT, que recebeu a paraense para o cargo de adjunta. “Hoje estamos lançando o Disque 100 voltado exclusivamente para elas”, anunciou.
Para Symmy, que é formada em publicidade na UFPA, onde começou a militância, a nomeação é uma vitória pessoal e do movimento. “Quando me assumi como travesti tive que me prostituir. Cerca de 90% das minhas amigas trans nem saem de dia por medo. É gritante a necessidade de uma política afirmativa para nós”, argumentou. Segundo ela, grande parte das travestis do movimento tem uma “amiga cafetina”, por isso, pelo que sempre bradou contra os tráficos nacional e internacional, ela acredita que tenha sido chamada.
(Diário do Pará)
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