Cinquenta e sete por cento dos internautas de todo o Brasil votaram em manter a tradição do azul para a cor do Mercado de Ferro, ou Mercado de Peixe do Ver-o-Peso como é conhecido popularmente, após restauro. A possibilidade de uma nova cor foi colocada para escolha do público em uma pesquisa realizada entre 17 e 24 de janeiro, iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan, com apoio do Centro de Memória da Universidade Federal do Pará – UFPA.
Das 3.200 participações, a cor verde ficou com o segundo lugar, alcançando 28% da preferência e o vermelho em último, com 15% dos votos. A ideia da votação surgiu durante a Obra de Restauração e Conservação do Mercado, em 2012, pelo Iphan, que ao aplicar uma pintura de cor laranja anticorrosiva nos elementos de ferro, causou manifestações contrárias da população.
A principal alegação era de que a cor “original” do Mercado, supostamente o azul, deveria ser mantida. Para o Iphan, a expressiva participação dos internautas e os resultados obtidos na pesquisa reforçam que o Mercado Ver-o-Peso é, de fato, um importante patrimônio cultural de Belém e do Brasil, merecendo o título de principal cartão postal da cidade.
O Iphan afirmou que já esperava a preferência pela cor azul, uma vez que, há muitos anos esta cor vem sendo usada e já se integrou à percepção da paisagem e faz parte das lembranças e da memória social da cidade. De acordo com o Instituto, há uma forte identificação e tradição da população com a paisagem do Ver-o-Peso. A população se preocupa com o patrimônio e gosta de opinar a respeito. O instituto avalia ainda que a análise qualitativa dos dados possibilitou conhecer melhor a importância e o significado das cores no imaginário da população, que saiu em defesa do azul, ainda que admitindo variações de tonalidade, a defesa da “tradição”, a resistência a mudanças quando se trata de elementos identitários de patrimônio.
O professor de geografia, William Carvalho, também falou em tradição quando deu sua opinião sobre o resultado. “Bom, adorei as propostas associadas às cores, mas acho que a cor azul foi mesmo a melhor, pelo fato de já tê-la no imaginário de todo aquele que circula e ou circulou pelo ver-o-peso. Desde que posso me lembrar, o mercado tem a cor azul, seria como se mudasse uma identidade já arraigada. Seria como trocar as cores do Clube do Remo pra vermelho e do Paysandu pra verde”, opinou o professor.
O empresário Henry Júnior foi preciso em sua opinião. “Independente das outras cores, o azul que permanece é a cor que por muitos anos ali está e já é a marca registrada do nosso veropa!”, declarou.
(Diário do Pará)
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