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Mirante do Lago: um pesadelo da casa própria

Infiltrações, alarmes de incêndio inexistentes, fiações expostas, elevadores parados, portas de segurança que não fecham... É esta a situação do Condomínio Mirante do Lago, em Ananindeua. Entregue há apenas oito meses, com dois anos de atraso, segundo os

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Infiltrações, alarmes de incêndio inexistentes, fiações expostas, elevadores parados, portas de segurança que não fecham... É esta a situação do Condomínio Mirante do Lago, em Ananindeua. Entregue há apenas oito meses, com dois anos de atraso, segundo os moradores, o condomínio foi um dos cinco da construtora Gafisa que tiveram seus “Habite-se”, o documento que legaliza a ocupação, identificados recentemente como irregulares pela Polícia Civil e Ministério Público do Estado (MPE). Dos 650 apartamentos entregues, correspondente à primeira etapa da obra, 94 estão ocupados, segundo a administração interna. Moradores falam que sofrem consequências negativas por conta das deficiências da obra. Segundo Alexandre Oliveira de Melo, subtenente do Corpo de Bombeiros e principal acusado de ter fraudado as licenças, outros membros da corporação e proprietários da construtora também estão envolvidos no esquema. O caso segue sendo investigado pela Justiça Militar e MPE.

Aristeu Júnior, 35 anos, precisou apagar um princípio de incêndio após um raio provocar fogo na caixa de peça dos elevadores de seu bloco. “Só estava eu na torre. Se o fogo se alastrasse, ia tomar conta de todo o bloco, porque as portas anti-fogo não fecham. É um absurdo, entregaram o condomínio com várias pendências e estão brincando com nossas vidas”, protesta. Os próprios condôminos desembolsaram R$ 17.500 para instalar um para-raios e evitar que novos incidentes aconteçam. Aristeu conta que já investiu metade do dinheiro que pagou pelo apartamento em serviços de manutenção.

Um acidente doméstico causado por um alagamento no apartamento de Ruy Barata, 41 anos, lhe quebrou o pulso. O ralo do banheiro, entupido, causou acúmulo de água no outro cômodo da residência. Quando Ruy foi buscar um pano para secar o chão próximo à privada, escorregou e caiu na área de serviço. “A gente se sente enganado. Depositamos toda a nossa esperança no sonho de ter a casa própria e quando chegamos aqui é isso que encontramos. Não posso nem me desfazer do apartamento, porque não tenho para onde ir”, diz em prantos o morador, que antes vivia em imóvel alugado com a família.

O apartamento de Silvana Bastos, 36 anos, está um caos. A água da chuva empoçada no alto do bloco escorre pelo teto e pinga dentro de sua casa. As infiltrações, visíveis pelos corredores, também se instalaram dentro da residência da moradora. “Nós nos mudamos pra cá há dois meses. Não podemos arrumar os móveis para não molhar, aí fica essa bagunça. No gesso do teto já dá pra ver buracos”, lamenta. O apartamento, financiado, custou R$ 285 mil.

Segundo Larissa Maia, síndica do Mirante do Lago, os bombeiros realizaram vistoria técnica no residencial na última quinta (31). “Eles verificaram as irregularidades e deram um prazo de dez dias pra construtora se adequar a tudo que pedem. Até agora [sexta], ninguém veio tomar providência nenhuma. O pior é que, se os problemas não forem solucionados, todo o condomínio pode ser embargado e nós vamos ter que deixar nossas casas”, teme.

Em nota, a Gafisa já havia se pronunciado informando que todos os seus empreendimentos no Pará são executados de acordo com projetos aprovados pelos órgãos competentes. A construtora diz que eventuais exigências das autoridades locais “foram cumpridas com aprovação formal por meio de vistorias, realizadas no próprio local dos empreendimentos e alvarás competentes”. De acordo com o Corpo de Bombeiros, não há ameaças iminentes significativas para os moradores.

Segundo Mário Neto, representante da Gafisa, a vistoria técnica dos Bombeiros foi complementar e o condomínio não apresenta problemas de infraestrutura. “O que os Bombeiros solicitaram foi a instalação de alguns equipamentos e sinalização apropriada. O condomínio não tem problemas de infraestrutura. Pelo amor de Deus! Isso é até calúnia”, diz. Segundo Neto, o Mirante do Lago tem “Habite-se” devidamente registrado na Prefeitura e no Corpo de Bombeiros.

(Diário do Pará)

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