A desembargadora Luzia Nadja Guimarães Nascimento tomou posse na presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Pará na sexta-feira (1°) - após ser eleita com apenas um voto de diferença, em disputa acirrada com a desembargadora Vânia Bittar. Oriunda do Ministério Público do Estado, Nadja atuou como promotora em vários municípios paraenses, inclusive no arquipélago do Marajó.
A nova chefe do judiciário estadual lista ideias inovadoras. Promete introduzir ações de responsabilidade social na sua administração e criar um espaço on-line para atender a população, além de um conselho de administração no TJE e da instalação de um gabinete de monitoramento de crises em parceria com o Legislativo e Executivo.
Confira entrevista cedida aos jornalistas Aline Brelaz e Carlos Mendes:
P: A sua eleição foi uma das mais disputadas do TJE e a senhora não fazia parte do quadro das expectativas dos eleitos. Isto a surpreendeu?
R: É importante dizer que quando tomei a decisão de lançar o meu nome aos desembargadores para a disputa é porque eu era a mais antiga no cargo que ainda não tinha sido presidente. O Judiciário vinha adotando por duas eleições passadas o critério de antiguidade. Em duas eleições houve candidatos únicos, primeiro o desembargador Rômulo Nunes e depois a desembargadora Raimunda Gomes. Isso não quer dizer que era obrigatório. O nosso regimento permite que possam se lançar outros candidatos.
P: Então já começou quebrando um paradigma...
R: Sim, se lançou também outra colega de origem do Ministério Público como eu. Quando nos lançamos fomos procurar pessoas e conversar com desembargadores em busca de apoio. Nunca tive a ideia que não estava na disputa pra valer. Eu digo que essa eleição foi um marco no Judiciário paraense, onde houve duas candidatas, que apresentaram seus planos e o colegiado escolheu aquela que entendeu melhor. E isto não quer dizer que a colega não venha a ser presidente posteriormente.
P: Que propostas levaram a esses votos. O que sua gestão terá de diferente?
R: Quando estive no Ministério Público exerci função administrativa, fui secretária-geral por quatro anos. Quando se exerce função administrativa se identifica onde é preciso determinadas medidas, inclusive, na área tecnológica. Também fui corregedora do Judiciário e fiz curso de gestão pública. Quando decidi me lançar candidata, levei todas essas informações aos colegas desembargadores. Mostrei todo esse caminho para demonstrar que estava pronta para assumir a função. Hoje no Judiciário temos planejamento estratégico para os próximos cinco anos. Independente de presidente, temos uma linha traçada. Pretendo dar continuidade à linha de ação, mas devolver melhor ainda as linhas diante de indicadores.
P: A senhora acredita que as divergências encerraram naquele momento da disputa?
R: Sim. Acredito que houve um momento de disputa que já foi superado. Mas, todos devemos ter um único objetivo que é o engrandecimento do judiciário, mas focando no jurisdicionado na prestação do serviço. A minha presidência receberá a todos os desembargadores e ficará feliz com a contribuição de todos, sem exceção.
P: Qual o maior desafio em dirigir o Judiciário em um Estado com tantos problemas e demandas como o Pará?
R: Acredito que em um Estado grandioso como o Pará, com riquezas e problemas, é importante que se tenha plano de ação, mas também que se busque atender às especificidades. Por exemplo, é muito difícil para a presidência atender a um município distante como Jacareacanga – localizado na divisa com o Mato Grosso em área de floresta -, e dizer o que se passa com precisão nesta área. Por isso é importante se utilizar a tecnologia de informação para poder tentar se aproximar mais desses municípios mais distantes. Pretendo criar um gabinete em parceria com Executivo e Legislativo parar atuar na prevenção e monitoramento de crises, buscar informações de todas as localidades. Uma espécie de gabinete de emergência, monitoramento de situações que possam gerar demandas ao Judiciário e diante disso adotar medidas preventivas.
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