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Unidos por uma agricultura sustentável

A Embrapa Amazônia Oriental teve sua importância reconhecida globalmente por ocasião da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-18) realizada em Doha, capital do Qatar, de 26 de novembro a 8 de dezembro. Os trabalhos de pesquisa realizados na in

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A Embrapa Amazônia Oriental teve sua importância reconhecida globalmente por ocasião da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-18) realizada em Doha, capital do Qatar, de 26 de novembro a 8 de dezembro. Os trabalhos de pesquisa realizados na instituição por uma de suas pesquisadoras subsidiaram a elaboração de um dos mais importantes documentos lançados à comunidade internacional durante o evento.

O título do documento sinaliza para o segredo do negócio, o mapa do tesouro e seu valor: “Entendendo as relações entre biodiversidade, carbono, florestas e pessoas: a chave para cumprir os objetivos do REDD+”. A obra reúne - de forma completa e com uma visão integrada das questões ambiental e socioeconômica - informações atualmente indispensáveis para subsidiar tomadores de decisão, políticos e potenciais doadores e investidores financeiros do REDD+.

REDD+ é a sigla usada mundialmente para o mecanismo de conservação de florestas chamado “Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal”. No grupo de autores do relatório estão 24 cientistas, de 13 países (Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Camarões, Canadá, EUA, Finlândia, Indonésia, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça). Eles fazem parte do “Painel de Especialistas em Biodiversidade, Manejo Florestal e REDD+” e trabalharam durante todo o ano de 2012 na redação do documento, sob a coordenação da IUFRO, sigla em inglês para União Internacional das Instituições de Pesquisas Florestais. No final de agosto, vieram finalizar a redação do documento em Belém, por ser Amazônia e também local de trabalho de uma das integrantes.

SERVIÇOS

A bióloga Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental, é autora de dois capítulos do relatório, sendo um deles sobre melhoria das práticas agrícolas e intensificação sustentável da agricultura, considerada por ela como uma ação chave para o sucesso do REDD+. “A melhora das práticas agrícolas reduz a degradação florestal e a necessidade de novos desmatamentos”, comenta a pesquisadora, ao salientar que não é mais possível pensar em conservar florestas sem considerar o fator agrícola como parte do problema e também da solução.

Joice Ferreira coordena o projeto Agroambiente (iniciado em 2009) e é também uma das coordenadoras da Rede Amazônia Sustentável, dois projetos afins que avaliam os custos e benefícios ambientais e socioeconômicos das principais opções de uso da terra na Amazônia, estudando a influência destas sobre padrões de biodiversidade e oferta de serviços ambientais.

O REDD+ ficou meio ofuscado na mídia durante a COP-18 pela exposição maior de notícias sobre a extensão do prazo do Protocolo de Kyoto. “Mas houve várias discussões específicas sobre o REDD+, principalmente sobre meios para os países desenvolvidos financiarem os países em desenvolvimento a fim de que estes conservem suas florestas, ou evitem que sejam degradadas. É importante saber a diferença entre um e outro mecanismo envolvendo florestas.”, esclarece a pesquisadora.

O lançamento do relatório na COP-18 aumentou grandemente as chances de o documento ser visto e utilizado no futuro próximo. Na prática das negociações, a pesquisadora destaca que o relatório serve para mostrar, por exemplo, por que é importante considerar a biodiversidade e não apenas o carbono; quais os prós e contras das diferentes opções de intervenção de manejo ou qual opção traz benefícios mais imediatos (conservação de florestas, agricultura sustentável, reflorestamento, entre outras); qual o impacto do manejo em termos de carbono e também de biodiversidade.

“Outro aspecto super importante é que o documento serve de guia para os governos, por exemplo, garantirem benefícios sociais com o REDD+, tratando de direitos de populações rurais, questões de posse de terra, evitando grilagem de terras e outras irregularidades passíveis de acontecer”, salienta Joice Ferreira.

REDD+

O mecanismo REDD+ agrega um conjunto de ações de proteção de florestas com o objetivo principal de reduzir emissões de gases de efeito estufa e aumentar estoques de carbono em países em desenvolvimento. Criado em 2005, com a sigla RED, indicava apenas medidas para reduzir desmatamento. Depois passou a ser REDD (com um “d” a mais), considerando também degradação florestal.

O sinal “+” foi acrescido para incluir medidas que acelerem a recuperação dos estoques do carbono, como manejo sustentável de florestas e a regeneração delas.

(Diário do Pará)

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