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Casarão ameaça cair a qualquer hora

É grande o risco de desabamento de mais uma parte da fachada do casarão antigo, na esquina da Avenida Assis de Vasconcelos com Travessa 28 de Setembro, no centro de Belém. O alerta é do Corpo de Bombeiros que, inclusive, já teria interditado o espaço ante

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É grande o risco de desabamento de mais uma parte da fachada do casarão antigo, na esquina da Avenida Assis de Vasconcelos com Travessa 28 de Setembro, no centro de Belém. O alerta é do Corpo de Bombeiros que, inclusive, já teria interditado o espaço anteriormente. No último domingo, 3, um pedaço da parede desmoronou durante a chuva e por sorte não feriu ninguém.

As paredes da edificação foram tomadas pela vegetação, apresentam rachaduras e as janelas sinais de que a qualquer momento irão despencar. A área foi isolada e os moradores em volta temem novos acidentes. Os donos do imóvel já foram comunicados dos riscos, mas ainda não se manifestaram. Desde o mês passado que o DIÁRIO DO PARÁ denuncia o abandono dos casarões, em Belém, que têm servido de abrigo para moradores de rua e esconderijo para assaltantes.

Um acidente anunciado, porém ignorado e que, por sorte, não teve vítimas. Assim se resume a história deste casarão antigo - que tem escrito “LOJA”, em cima de onde seria a porta principal. Moradores da área afirmam que o Corpo de Bombeiros esteve lá várias vezes e interditou o espaço, mas nunca nenhuma outra providência foi tomada.

Ontem a tarde, o flanelinha Edson Pereira olhava aos destroços do desabamento do último domingo, 3. Galhos de árvores, pedaços de madeira e tijolos. O barro utilizado para erguer o imóvel é um sinal de quão antigo é o prédio. “A gente já sabia que ia acontecer isso. Não foi a primeira vez. Há cinco anos, mais ou menos, um pedaço da fachada caiu e ninguém fez absolutamente nada. O acidente de ontem (domingo) foi maior e acho que o próximo vai ser pior”, disse.

Nenhuma autoridade e nem os proprietários do imóvel estiveram ontem no local, para checar as avarias. De acordo com o diretor de Serviços Técnicos dos Bombeiros, Cel. Daniel, as medidas emergenciais foram tomadas. O próximo passo é notificar a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) e aos órgãos de Patrimônio da cidade. “É certo que o prédio vai desabar, mas não de uma vez só. Pelo que foi avaliado nas estruturas, ele vai desabar por partes. Por isso isolamos a área no entorno”, frisou o oficial.

O risco de desabamento é iminente. O comerciante Roger Cavalcante, que mora quase ao lado do casarão, relatou que escutava ao jogo do Paysandu, pela rádio, quando ouviu um estrondo. “Pensei que fosse acidente de carro, mas quando vi era a parede do imóvel que tinha desabado. Ainda bem que não passava ninguém na hora”, disse.

Ele comentou que em novembro passado um galho, da vegetação que tomou conta da prédio, caiu e atingiu a fiação elétrica do poste e deixou a área sem energia. “A gente tem medo de andar pela calçada aqui na Assis de Vasconcelos ou na 28 de Setembro por causa do risco de desabament e por causa dos moradores de rua que se escondem aí e ladrões também”, finalizou.

A Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) informou que no ano passado notificou o proprietário do casarão e o orientou sobre os procedimentos que ele poderia fazer para recuperar o patrimônio, que se encontra totalmente deteriorado. Por causa do último desabamento, a Fumbel irá emitir um novo comunicado a fim de convidá-lo a decidir em conjunto com o órgão o que poderá ser feito.

Por telefone, o representante dos proprietários, Sérgio Satury, afirmou que desconhece tal notificação feita pelo Departamento de Patrimônio Histórico da Fumbel e se queixou da falta de interesse do poder público em ajudar a recuperar o Patrimônio da cidade. “Eles não dão dinheiro nenhum para que a gente possa revitalizar ou reformar o espaço. Nós iremos sentar com eles e decidir o que poderá ser feito”, frisou. “Se estão dizendo que é uma ameaça para a sociedade que nos ajudem a derrubar tudo e ver o que poderemos fazer com o terreno já que o casarão está em ruínas”, colocou Satury. Ele disse que sobrado já foi repassado para os filhos dos herdeiros do imóvel, o que dificulta chegarem a um acordo.

A Fumbel ressalta que se o proprietário não comparecer ao órgão, dentro do prazo de 24 horas após o recebimento da notificação, irá autuá-lo e encaminhar o caso para a Delegacia do Meio Ambiente (Dema). Além disso, irá tomar medidas administrativas.

De acordo com a Fumbel é garantido o desconto de até 100% no Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) como incentivo a conservação dos imóveis no centro histórico de Belém. Desde que o proprietário se comprometa em realizar a manutenção do prédio. Para conseguir o subsídio, o dono imóvel deve solicitar uma visita técnica.

ABANDONO

Há quase um mês que o DIÁRIO DO PARÁ denuncia o abandono do patrimônio da cidade, que tem sido utilizado como abrigo para moradores de rua e esconderijo de assaltantes. A queixa apontava, inclusive, o risco de desabamentos do casarão na Travessa 28 de Setembro com Avenida Assis de Vasconcelos, no bairro do Reduto. Na época, o jornal ouviu a opinião de diversos moradores que lamentaram a depredação do patrimônio da cidade e o desamparo das edificações históricas.

O morador da 28 de Setembro Jorge Augusto de Souza, 53, comentou que no final do ano passado uma das folhas da janela caiu e por sorte não atingiu a nenhum pedestre que passava. “Se isto é um patrimônio, o Estado é que é responsável. Se for de propriedade particular, comprem do dono, reformem e façam sede de algum órgão”, sugeriu.

Quem caminha próximo ao prédio se depara com o odor de excreções deixadas por moradores de rua. “Os bombeiros já tiveram aí várias vezes, interditaram, mas ninguém fez nada”, desfechou Jorge Augusto. A noite ninguém se arrisca a caminhar próximo ao casarão porque temem que algum assaltante saia de dentro do imóvel.

(Diário do Pará)

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