“Eu era uma pessoa pacata e a doença fez com que eu encontrasse forças pra ir em busca do meu ideal e lutar pelo que eu queria, que era minha vida. Hoje eu sou outra”. A declaração da pedagoga Selma Mendes, 48 anos, é prova de que, mesmo nas circunstâncias mais improváveis, é possível encontrar coisas boas. Diagnosticada com câncer de mama em 2009, Selma teve parte do seio esquerdo retirado, passou por quimioterapia, radioterapia, tratamentos hormonais e hoje leva uma vida normal, livre da doença.
O câncer de mama é o segundo mais frequente no mundo e o que mais atinge as mulheres, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com 22% de casos surgindo a cada ano, segundo a OMS, a incidência é maior em mulheres a partir dos 40 anos.
De acordo com Celso Fukuda, oncologista, mastologista e ginecologista do Hospital Ophir Loyola, ocorre, hoje, um crescimento generalizado no número de casos. “Não é só no Brasil. Estados Unidos, Europa, Ásia... São vários os fatores que contribuem para este crescimento no número de casos. É uma doença que atinge todas as classes sociais”, explica. No caso das paraenses, no período de 2000 e 2010, entre os cânceres mais frequentes nas pacientes do Ophir Loyola estão os de útero (4.884 casos); de mama (2.871); estômago (547) e do sistema hemato e reticuloendotelial (434). De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, referência em oncologia, 3.271 pacientes com câncer foram atendidos em 2012, sendo que 492 dos casos correspondem a câncer de mama.
Michele Monteiro, enfermeira e coordenadora Estadual do programa de Prevenção do Câncer de Mama e do Câncer do Colo de Útero da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), fala que o trabalho realizado pela secretaria tem como um dos focos principais a atenção primária, trabalhando na detecção, controle e prevenção da doença. “Fatores como o controle do peso corporal, a valorização da qualidade de vida e hábitos saudáveis podem contribuir para a prevenção. Alimentação é um dos pontos de maior importância e alimentos como carne vermelha, por exemplo, devem ser consumidos moderadamente”, orienta.
Segundo a coordenadora, o autoexame não deve substituir o acompanhamento clínico adequado. “Quando o câncer está em estágio muito inicial, pode ser difícil identificá-lo apenas através do toque. Isso pode gerar falsos resultados negativos e desestimular a ida ao profissional de saúde, agravando o problema. Os exames de rotina precisam ser anuais para as mulheres na faixa-etária de risco”, esclarece.
(Diário do Pará)
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