Chefe do Centro de Atividade Técnica (CAT) do Corpo de Bombeiros até o ano passado, o tenente-coronel Francisco de Assis Queiroz Moreira, assim como o atual subchefe do setor, tenente-coronel Oliveira, e a ex-diretora do Departamento de Análise de Projetos da Secretaria de Urbanismo da prefeitura de Belém (Seurb), Cristina Penna, também prestaram depoimento ao Conselho Permanente da Justiça Militar, na condição de testemunhas. Assis Moreira contou que tudo começou quando ele adquiriu um apartamento, ainda na planta, no edifício Reserve Ibiapava, da Gafisa. Em outubro do ano passado, ele recebeu uma correspondência da empresa convidando-o para uma audiência de criação do condomínio do prédio. Declarou ter estranhado o fato, porque dois meses antes, em agosto, esteve na obra e verificou que a escada só tinha corrimão de um lado. O tenente-coronel observou que haveria problemas no Habite-se da Gafisa e diz ter ficado surpreso ao ser informado pela empresa de que ela já tinha o documento em seu poder. Soube depois, ao buscar informações no CAT com o subtenente Rudinilson, de que a vistoria havia reprovado a obra. Veio a saber, mais tarde, que os documentos eram falsos. A falsidade ocorreu em cima dos códigos de segurança das empresas Imagem Comunicação Visual e Conjunto Residencial PA 06. Um quinto código liberado fraudulentamente em favor da Gafisa sequer existia no sistema do CAT. Cristina Penna, por sua vez, declarou que a Seurb não confere assinaturas para confirmar ou não as autenticidades, porque os processos já chegam ao órgão assinados pelos responsáveis no Corpo de Bombeiros. Penna ficou sabendo por Assis Moreira do Habite-se falso e não quis assinar outros dois documentos para liberar obras da Gafisa. O tenente-coronel Oliveira depôs advertido pelo juiz de que o denunciado Melo o considerava “inimigo interessado apenas em prejudicá-lo no inquérito”, mas o oficial contou qual o motivo que teria levado Melo a tratá-lo dessa forma. Relatou que um sargento de prenome Robledo teria em seu poder um celular roubado de uma juíza. No celular, grampeado pela equipe do delegado Éder Mauro, apareciam mensagens de Robledo para o subtenente Melo para que este fizesse vistoria em determinada empresa para receber R$ 300. Isso seria uma prova, segundo o oficial, da conduta irregular de Melo. O oficial também informou que as irregularidades no caso das consultorias feitas pelo subtenente ficaram comprovadas no decorrer do inquérito. Em vista disso, passou a ser detratado e achincalhado pelo acusado dentro da corporação. (Diário do Pará) |
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