A farinha de mandioca é um dos alimentos prioritários na mesa do paraense e ninguém duvida disso. Mas, como manter o consumo regular com o preço tão exorbitante, atualmente? Um quilo da farinha d´água, a preferida da população, já chega custar R$ 10 nas feiras da capital. Entre o avanço da monocultura do dendê para produção de óleo de palma e consequente o biodiesel, falta de tecnologia à produção familiar, dificuldade de acesso ao crédito, além de problemas para escoar a produção, a farinha de mandioca de cada dia do paraense está cada vez mais escassa e mais cara. A Secretaria Estadual de Agricultura (Sagri) se prepara para ainda neste semestre criar a Câmara Setorial da Mandioca, uma forma de reagir à baixa oferta no mercado, e, consequentemente, o preço alto do produto. O Pará continua sendo o maior produtor de farinha de mandioca do Brasil, respondendo por 18% da produção nacional. Porém, a cultura da mandioca no Pará permanece de forma primitiva, com muito pouca tecnologia agregada. A produção em família, muitas vezes na forma apenas de subsistência, ainda prevalece no Estado, apesar da enorme importância do produto na mesa do paraense e de vários Estados brasileiros. Além da mandioca, o Pará é o maior produtor de dendê (90% da produção nacional) e da pimenta do reino (74% da produção nacional). De acordo com o gerente executivo de Estudos do Agronegócio da Sagri, Sérgio Menezes, vários fatores, além da monocultura, influenciam a alta do preço da farinha de mandioca. Ele admite que a oferta diminuiu nos últimos anos, em relação à demanda estadual. Entre os fatores detectados pela Sagri estão a redução da área plantada da mandioca, raiz que produz a farinha. Com isto, também afeta o material para o plantio, ou seja, a maniva-semente. Além disso, a podridão da raiz, causada por vírus; falta de tecnologia na produção que acaba tornando o volume baixo em relação a outras culturas em que os agricultores têm acesso a processos de melhoramentos, inclusive, o genético. Juntam-se a estes fatores também, segundo Sérgio Menezes, o custo alto da logística para transportar a produção para os centros urbanos. Em todo o Pará, apontam os números da Sagri, elaborados a partir dos dados do IBGE, é praticada a cultura da mandioca e a produção da farinha, que abastece as famílias dos pequenos agricultores e também os mercados urbanos. Em 2012, a Sagri contabilizou a produção de 4.8 milhões de toneladas de mandioca farinha no Estado do Pará. Um pequeno acréscimo em relação a 2011, cuja produção foi de 4.6 milhões de toneladas. A região de maior produção da mandioca é o nordeste paraense, que responde por mais da metade da produção de farinha local. A região do baixo-acará é a maior base da produção de mandioca e da farinha no Estado do Pará. Também tem importância grande a produção na região bragantina, Aurora do Pará e Ipixuna do Pará na região nordeste. No oeste paraense destacam-se as produções dos municípios de Oriximiná e Santarém. A implantação da câmara setorial da mandioca, explica Sérgio Menezes, vai viabilizar a implantação de campos de multiplicação de maniva/semente, além de cursos de capacitação em boas práticas de produção, em parceria com a Emater e Embrapa; mecanização da produção, pois as casas de produção de farinha precisam passar a se tornar indústria de verdade; distribuição de insumos agrícolas para adubar a produção e conter pragas na lavoura. A meta é alcançar até 3 mil famílias de produtores em todo o Estado até o final de 2014. Segundo Menezes o Estado já previa o conflito de culturas. Em reuniões da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Palma, já há a percepção de que é preciso investir em áreas com agricultura familiar rural que integram os projetos do dendê, que é preciso manter as culturas associadas, inclusive, as de subsistência, para garantir a segurança alimentar dos próprios projetos. No planejamento para 2013 a Sagri incluiu além da criação da câmara setorial da mandioca, o debate amplo com as associações de agricultores familiares e especialistas no tema para ajudar a melhorar a produção e aumentar a oferta. Uma das medidas que serão viabilizadas ainda este mês, conta o gerente de Agronegócio da Sagri, será a distribuição de maniva-semente melhorada geneticamente em parceria com os municípios para milhares de famílias de agricultores. (Diário do Pará) |
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