Feijão, peixe, melancia, tomate... Os alimentos são variados e, sem dificuldade, é possível adicioná-los à cesta básica mensal. Basta um pouco de criatividade na hora de preparar os pratos e temos à disposição grandes agentes naturais contra uma doença que mata cerca de 7,6 milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma dieta balanceada, rica em frutas e vegetais, pode ajudar a evitar diversos tipos de câncer. Para se manter prevenido, vale exercícios físicos, hábitos saudáveis e até iogurte de açaí. Apesar do peso negativo que carrega a palavra câncer, bons exemplos mostram que o fardo da doença é pequeno perto da vontade de viver. Segundo o oncologista Celso Fukuda, a alimentação influência na prevenção do câncer porque mantém as células do organismo saudáveis. “O câncer nada mais é que uma mutação anormal de uma célula boa que começa a se espalhar de forma desordenada. O grande problema é que elas param de funcionar adequadamente e criam focos fora, em outros órgãos, é isso que nós chamamos de metástase”, explica. De acordo com Fukuda, um bom sistema imunológico pode combater, até mesmo, princípios de câncer. “Às vezes, o próprio organismo pode destruir uma célula que ele identifica como estando fora do padrão. Mas, para isso, ele precisa estar fortalecido”, pontua. Paulo Honório, 22 anos, em 2008 descobriu que possuía um câncer no testículo. Na época, o estudante de Direito cursava o Convênio e se preparava para o vestibular. “A gente sempre acha que esse tipo de coisa só acontece do lado, nunca com a gente”, comenta. Depois de oito sessões exaustivas de quimioterapia, Paulo finalmente se viu livre da doença. Dos 12 pacientes de sua ala, apenas ele e mais um sobreviveram. “A doença mudou minha vida. Eu sou outra pessoa, estou bem mais maduro e consciente de mim. Meu relacionamento com a minha família, a forma com que lido com os outros, tudo melhorou. Aprendi a dar valor às coisas simples”, fala. Hoje, Paulo precisa reforçar a dieta balanceada, que já realizava antes do diagnóstico positivo, rica em legumes e frutas. “Eu só como um hamburger vez outra pra sair da rotina, mas nada exagerado. Alimentação, com certeza, influencia muito a doença”, diz. O estudante afirma que prefere ser discreto em relação a sua história para evitar ser alvo de uma piedade que ele não merece. Bem-humorado, Paulo lembra quando ia de cabeça raspada para as aulas do terceiro ano e os colegas questionavam em qual curso ele havia passado. “Eu dizia que estava fazendo quimioterapia e algumas pessoas perguntavam se eu estava cursando química. Até hoje não sei se era brincadeira ou não!”, conta rindo. Para Paulo, relembrar a doença é reviver as sessões semanais de intermináveis horas de quimioterapia, revisitar na memória amigos queridos que não resistiram, pensar nas crianças que enfrentam o mesmo problema que ele superou... Lágrimas surgem de angustias que reaparecem involuntárias, como o gosto ruim na boca que o estudante sente apenas ao ver sacos de soro quando passa em frente ao Hospital Ophir Loyola. Paulo só aceitou falar ao DIÁRIO porque acredita que, expondo a situação, ele pode ajudar outras pessoas e famílias que estão passando ou venham a passar pelo mesmo. “Se tu entrar em depressão, a doença te acaba. É importante manter o otimismo, tentar não parar as atividades, se apegar à família, ter fé e seguir em frente”, aconselha. Hoje, estudante realiza trabalho voluntário para ajudar outras vítimas da doença e se diz feliz, simplesmente, por estar vivo. (Diário do Pará) |
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