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Alimentação saudável ajuda a combater doença

Feijão, peixe, melancia, tomate... Os alimentos são variados e, sem dificuldade, é possível adicioná-los à cesta básica mensal. Basta um pouco de criatividade na hora de preparar os pratos e temos à disposição grandes agentes naturais contra uma doença qu

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Feijão, peixe, melancia, tomate... Os alimentos são variados e, sem dificuldade, é possível adicioná-los à cesta básica mensal. Basta um pouco de criatividade na hora de preparar os pratos e temos à disposição grandes agentes naturais contra uma doença que mata cerca de 7,6 milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma dieta balanceada, rica em frutas e vegetais, pode ajudar a evitar diversos tipos de câncer. Para se manter prevenido, vale exercícios físicos, hábitos saudáveis e até iogurte de açaí. Apesar do peso negativo que carrega a palavra câncer, bons exemplos mostram que o fardo da doença é pequeno perto da vontade de viver.

Segundo o oncologista Celso Fukuda, a alimentação influência na prevenção do câncer porque mantém as células do organismo saudáveis. “O câncer nada mais é que uma mutação anormal de uma célula boa que começa a se espalhar de forma desordenada. O grande problema é que elas param de funcionar adequadamente e criam focos fora, em outros órgãos, é isso que nós chamamos de metástase”, explica. De acordo com Fukuda, um bom sistema imunológico pode combater, até mesmo, princípios de câncer. “Às vezes, o próprio organismo pode destruir uma célula que ele identifica como estando fora do padrão. Mas, para isso, ele precisa estar fortalecido”, pontua.
Falta de exercícios físicos, obesidade, tabagismo e maus hábitos alimentares podem ser fatores decisivos na hora de avaliar as chances de uma pessoa desenvolver a doença. “O câncer é multifatorial, ou seja, ele não incide só por uma razão. Hoje, nós sabemos que o sedentarismo pode influenciar no aparecimento de câncer no intestino, na mama e outros tipos de tumores. Já uma alimentação balanceada, rica em frutas e fibras, ajuda na prevenção. O suco de tomate é bom para prevenir o câncer de próstata, por exemplo”, afirma Fukuda.

NOVE MIL NOVOS CASOS
Para o ano de 2012, de acordo com as estimativas mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a previsão era de que surgissem 930 novos casos de câncer de próstata entre os paraenses. Já entre as paraenses, estima-se que a incidência maior foi de câncer de colo do útero, com 810 novos casos, seguido pelo de mama, com 740 casos. Em terceiro lugar, aparece um câncer fortemente influenciado pelos hábitos alimentares, o de estômago. A expectativa do Inca apontou 430 novos casos entre os homens e 250 casos entre as mulheres para este tipo de neoplastia, apenas no Pará. No total, avalia-se que cerca de 9.600 novos casos de câncer surgiram no Estado, segundo o Inca.
Antenor Madeira, oncologista e coordenador da Rede Paraense de Controle ao Câncer (RPCC), afirma que os graus de gravidade variam dependendo do tipo de tumor. “Existem mais de cem tipos de câncer e a complexidade da doença é muito grande”, fala. Ainda que não sejam elementos determinantes, o coordenador afirma que cerca de 35% dos casos de câncer têm relação com hábitos alimentares. “Quando o governo levou luz para o interior, as pessoas passaram a conservar a carne e o peixe na geladeira ao invés de salgar. Essa diminuição no consumo de sal provocou diminuição na incidência de câncer de estômago”, conta.
De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Ophir Loyola, em média, 321 pacientes oncológicos são atendidos diariamente no ambulatório, cerca de 9.633 por mês. Hoje, o Ophir Loyola ainda é a maior referência de tratamento de câncer no Pará e dispõe de 135 leitos para oncologia.
O hospital passa por reforma que deverá ampliar o número de leitos, no entanto, segundo Madeira, é necessário investir em outras áreas. “Nós já melhoramos muito, mas ainda precisamos avançar mais. Precisamos investir mais em pesquisa e tecnologia, formação de pessoal, prevenção e promoção da saúde. Estimular as pessoas a praticarem uma atividade física regular, por exemplo, é uma forma de trabalhar o controle de novos casos”, completa.

DIAGNÓSTICO

Paulo Honório, 22 anos, em 2008 descobriu que possuía um câncer no testículo. Na época, o estudante de Direito cursava o Convênio e se preparava para o vestibular. “A gente sempre acha que esse tipo de coisa só acontece do lado, nunca com a gente”, comenta. Depois de oito sessões exaustivas de quimioterapia, Paulo finalmente se viu livre da doença. Dos 12 pacientes de sua ala, apenas ele e mais um sobreviveram. “A doença mudou minha vida. Eu sou outra pessoa, estou bem mais maduro e consciente de mim. Meu relacionamento com a minha família, a forma com que lido com os outros, tudo melhorou. Aprendi a dar valor às coisas simples”, fala.
Entre 2010 e 2011, outro tumor, perto do coração, se espalhou pelo tronco e quase custou a vida de Paulo. As cirurgias emergenciais, extremamente delicadas, testaram a fé do jovem que, humilde, não se deixa envaidecer por ter superado tantos obstáculos. “Eu ainda tenho pequenos tumores benignos que estão sendo monitorados. Não me julgo melhor que ninguém por ter sobrevivido. Conheci tanta gente boa que não conseguiu... Qual lugar que nós ocupamos aqui, afinal?”, questiona.

Hoje, Paulo precisa reforçar a dieta balanceada, que já realizava antes do diagnóstico positivo, rica em legumes e frutas. “Eu só como um hamburger vez outra pra sair da rotina, mas nada exagerado. Alimentação, com certeza, influencia muito a doença”, diz. O estudante afirma que prefere ser discreto em relação a sua história para evitar ser alvo de uma piedade que ele não merece. Bem-humorado, Paulo lembra quando ia de cabeça raspada para as aulas do terceiro ano e os colegas questionavam em qual curso ele havia passado. “Eu dizia que estava fazendo quimioterapia e algumas pessoas perguntavam se eu estava cursando química. Até hoje não sei se era brincadeira ou não!”, conta rindo.

Para Paulo, relembrar a doença é reviver as sessões semanais de intermináveis horas de quimioterapia, revisitar na memória amigos queridos que não resistiram, pensar nas crianças que enfrentam o mesmo problema que ele superou... Lágrimas surgem de angustias que reaparecem involuntárias, como o gosto ruim na boca que o estudante sente apenas ao ver sacos de soro quando passa em frente ao Hospital Ophir Loyola.

Paulo só aceitou falar ao DIÁRIO porque acredita que, expondo a situação, ele pode ajudar outras pessoas e famílias que estão passando ou venham a passar pelo mesmo. “Se tu entrar em depressão, a doença te acaba. É importante manter o otimismo, tentar não parar as atividades, se apegar à família, ter fé e seguir em frente”, aconselha. Hoje, estudante realiza trabalho voluntário para ajudar outras vítimas da doença e se diz feliz, simplesmente, por estar vivo.

(Diário do Pará)

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