Não bastasse o samba no último volume no bar vizinho, o Carnaval também incomodou no Pronto-Socorro Municipal do Guamá, em Belém, causando uma superlotação no local. Doentes foram atendidos nos corredores, com suas macas, bolsas de soro fisiológico e outros aparelhos médicos, tendo que dividir a passagem com o público e funcionários.
O comerciante Antonio Carlos da Silva, 50 anos, estava apreensivo com a demora. Sua filha de 6 anos reclamava de falta de ar e dores no corpo causados por uma alergia. Desde o final da manhã esperando pela consulta com a pediatra, somente às 16h a menina foi medicada.
“Não dá para ter paciência vendo a filha da gente passando mal. Só tinha uma pediatra no hospital para cuidar de dezenas de crianças. Eles não sabem que é Carnaval? Deveriam estar preparados”, reclama.
José Inácio de Abreu Trindade, 19, aguardava o horário de visita do hospital sentado na calçada da rua São Miguel. Há dois dias ele enfrenta o relento para visitar a mãe, de 62 anos, internada com um caso grave de infecção na perna. “Não tem como esperar lá dentro, não tem espaço. Esse hospital é uma esculhambação. Tive até que comprar curativos para a minha mãe porque acabou material”, denuncia.
A dona de casa Vanessa Natália Lopes, 33, veio de Marituba acolher a vizinha Maria de Nazaré. A amiga foi internada na última sexta-feira com febre e está dividindo o quarto com sete pessoas, conta a senhora. “Eu tive que trazer lençol pra coitadinha, porque não tinha. Isso não é jeito de tratar a gente”.
Situação semelhante foi observada no PSM da 14 de Março, no bairro do Umarizal. Nossa equipe flagrou um paciente sendo atendido em uma maca no corredor do hospital.
(Diário do Pará)
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