Pelo menos três mil pessoas animaram a Aldeia Cabana de Cultura Amazônica Davi Miguel durante o desfile das escolas de samba do grupo especial de Belém, no último sábado, 9. Este ano, o concurso contou com a participação de seis agremiações. A novidade é a premiação de R$ 100 mil para as escolas que conquistarem os primeiros lugares. A campeã será conhecida na próxima quinta-feira, 14, após a apuração das notas.
O desfile oficial do grupo especial durou cerca de sete horas. A atendente Rosângela Queiroz, 55, que mora na Travessa Pirajá chegou cedo à Aldeia, mas não conseguiu vaga nas arquibancadas. “Todo ano eu assisto ao desfile do início ao fim, desta vez não vai ser diferente. Quero ver a minha escola do coração [Rancho] passar e fazer bonito”, exaltou.
O Grêmio Recreativo Escola de Samba Rosas da Terra Firme abriu o desfile. A escola - fundada em 2008 - levou para a avenida o enredo “Na Academia Paraense do Samba, Osvaldo Garcia é imortal e brilha com a rosa nesse carnaval”, em homenagem ao sambista. Cerca de 1.200 brincantes, em nove alas, desfilaram pela escola.
Em seguida, a Piratas da Batucada começou o desfile por baixo de chuvisco. “Pode chover, pode o sol nascer, mas nada vai atrapalhar o desfile da Piratas”, exclamava o diretor de bateria Marcos Fontelles. A agremiação apresentou o enredo “Aos olhos da noite tudo é possível”, e contou com a participação de 1.400 brincantes. Entre eles a ritmista Maria das Dores, 83, “Tenho vergonha de dar entrevista”, disse com timidez.
A direção da Embaixada de Samba Império Pedreirense ameçou não desfilar por causa de problemas no sistema de som. A escola desfilou com o enredo “Ver-o-peso, ver o tempo, cenário vivo da cultura popular”, em homenagem a cultura paraense. A Império tocou no coração do público com a Ala dedicada ao Círio de Nazaré.
O Rancho Não Posso Me Amofiná arrastou 1.300 brincantes com o enredo “Sangue de Minh’alma”. A agremiação não economizou no luxo das fantasias e também utilizou materiais reciclados na construção das alegorias.
A Bole-bole foi a penúltima escola a desfilar, com enredo sobre a magia do Carimbó: “Mestre Lucindo: Uma estrela no céu de Marapanim”. A saia rodada das dançarinas de carimbo foram a inspiração para as fantasias da escola.
Às três da manhã entrou a “Deixa Falar”, última a desfilar, com o enredo “Sob a Luz da Ribalta, os sonhos e devaneios de um artista”, em homenagem ao arte educador Henrique Andrade – um dos ícones do teatro paraense, que assistiu ao desfile emocionado.
(Diário do Pará)
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