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Barcarena produz achocolatado orgânico

Uma receita passada de mãe para filha. Foi dessa forma que 13 mulheres das comunidades de Tracuateua e Bom Jardim, situadas no município de Barcarena, distante 15 quilômetros da capital paraense, começaram a produzir para comercialização, de forma rústica

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Uma receita passada de mãe para filha. Foi dessa forma que 13 mulheres das comunidades de Tracuateua e Bom Jardim, situadas no município de Barcarena, distante 15 quilômetros da capital paraense, começaram a produzir para comercialização, de forma rústica e artesanal, um achocolatado orgânico, sem conservantes e sem lactose, denominado Organolate.

Estimulado pela empresa Walmart, rede multinacional que busca aumentar a oferta de produtos com diferenciais de sustentabilidade, o Organolate tem como objetivo principal capacitar as mulheres que tenham uma alternativa de geração de renda por meio da produção de um achocolatado em pó totalmente orgânico. “Foi incrível essa transformação que o projeto sofreu e nós, mulheres das comunidades beneficiadas, esperamos muita coisa dele, principalmente melhorias na renda das famílias. Espero que o projeto continue e que melhore cada vez mais a nossa vida e da nossa comunidade”, disse Eliana Pantoja, uma das mulheres beneficiadas pelo projeto.

Com o apoio do Rotaract Club, organização internacional que busca promover a qualidade de vida das comunidades atendidas através de prestação de serviços, o achocolatado foi aprimorado. Para tanto, além da capacitação em gestão e em produção, atendendo-se os requisitos sanitários e os aspectos mercadológicos que contribuem para sua comercialização, o empreendimento prevê a construção de uma cozinha industrial e a obtenção de um certificado de produto orgânico que seja aceito em outros países, principalmente da América do Norte e da Europa, dos quais já tem propostas de compradores.

Além da capacitação e aperfeiçoamento da produção, o Rotaract Club Cesupa firmou parceria com a Ceplac (Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira), que orientou sobre as técnicas de manejo, focando os principais cuidados com o solo para que elas utilizem padrões de qualidade desde a formação do fruto.

“O Projeto Organolate começou com essa parceria. A partir dela é que as mulheres foram recebendo capacitação profissional, o que ocorreu em duas fases. A primeira fase, promovida pela Ceplac, nas próprias comunidades, e a segunda, realizada no laboratório de Tecnologia de Alimentos do Cesupa, momento em que as mulheres aprenderam como aproveitar ao máximo todos os componentes do cacau, incluindo a produção de licores, doces, geleias e, o mais importante, o chocolate em pó”, informou o professor Rafael Boulhosa, coordenador do Núcleo Integrado de Empreendedores Juniores.

Após o curso de aperfeiçoamento, o projeto realizou alguns testes degustativos do achocolatado, obtendo 88% de aprovação. O resultado foi um produto apto à comercialização, gerando um incremento de renda às famílias das mulheres beneficiadas de 2000%, pois o valor médio do quilo do achocolatado orgânico no mercado é de R$ 30 e, atualmente, o quilo do cacau in natura é vendido por apenas R$ 1,50.

O Projeto Organolate já recebeu vários reconhecimentos. Dentre eles estão os prêmios Professor Samuel Benchimol e Banco da Amazônia de Empreendedorismo Consciente, em novembro do ano passado, rendendo ao Organolate R$ 30 mil para investimentos na comunidade e o prêmio Walmart Women’s Economic Empowerment Project Partnership.

Para a estudante Daniela Gaspar, aluna do curso de Nutrição e coordenadora do projeto, “é uma experiência muito boa, pois nos mantém em contato com a realidade social além dos muros da universidade. Além disso, com as premiações que recebemos podemos mostrar resultados positivos tanto às comunidades atendidas, que ficam com toda a verba recebida nas premiações para melhor investir no desenvolvimento das próprias comunidades, quanto para o Cesupa, pois mostra que o projeto está dando frutos”.

Atualmente, os membros do Organolate estão iniciando estudos de capacidade produtiva do fruto, de análise do solo para certificação das áreas, do melhor tipo e layout de embalagem e das características nutricionais do produto.

(Diário do Pará)

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