Foi com surpresa que o segurança Deivid Ferreira recebeu a notícia de que passaria a trabalhar em uma igreja. Há quatros anos nesta profissão, essa é a primeira vez que sua função é defender este tipo de patrimônio. Todos os dias ele cumpre um dos turnos fazendo a segurança da paróquia Jesus Ressuscitado, no bairro da Marambaia.
A igreja já foi alvo de assaltantes pelo menos duas vezes e, desde então, adotou algumas medidas de segurança. No portão principal, uma placa anuncia: “Cuidado. Cão Bravo”. O segurança também está sempre próximo à entrada da igreja. “Antes ainda respeitavam a igreja, hoje não tem mais isso”, comenta Deivid.
A segurança também tem o apoio de uma ronda motorizada, que circula pelas ruas do bairro. Os cuidados com a prevenção – para resguardar os frequentadores e funcionários das igrejas – já é realidade em diversos locais de Belém. Algumas apelam para grades de proteção, alarmes e muros altos, outras investem em sistemas de segurança especializados.
Para os frequentadores das igrejas, o cuidado é mais que necessário. “Acho que as igrejas precisam mesmo ter toda a segurança. Não só pelos fiéis, mas porque possuem itens de muito valor, imagens que existem há centenas de anos. Nada mais escapa dos bandidos”, ressalta a dona de casa Mercês Silva.
Na paróquia São Pedro e São Paulo, no bairro do Guamá, além das grades de proteção há cerca elétrica por toda a extensão da fachada da igreja. Mais um exemplo da busca pela segurança. De acordo com o padre Antônio de Pádua, pároco da igreja, não há registros de roubos no local, as medidas são mais um meio de proteção. “O máximo que conseguimos colocar é a cerca e vigilância. Não tivemos nenhum problema, é mais no sentido de preservar o patrimônio, os funcionários e os fiéis”, explica.
PREVENÇÃO
Também no bairro do Guamá, na Catedral da Família, até câmeras de segurança foram instaladas como medidas de prevenção. Em igrejas menores, quando não há muitos recursos para investir em segurança, os fiéis tentam resguardar o espaço de outras maneiras. No bairro do Coqueiro, a pastora Conceição Martozick afirma que os roubos à Igreja do Evangelho Quadrangular só diminuíram quando três cães foram colocados para auxiliar na segurança. “Antes vivia tendo que pedir ajuda à polícia”, relembra.
Ela conta que os casos de roubos eram muito constantes. “Algumas pessoas acham que a igreja tem dinheiro. Já roubaram quatro vezes o espelho da moto do pastor e levam as lâmpadas até mesmo durante o dia. Já entraram na igreja de madrugada e levaram caixas de som, ventilador e mesa de som. Antes havia mais respeito com a casa de Deus”, diz.
(Diário do Pará)
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