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Ação na justiça pode recuperar perdas

As pessoas que tiveram suas casas alagadas durante o temporal que caiu anteontem em Belém e sofreram perdas materiais poderão procurar a Defensoria Pública do Pará, a fim de acionar judicialmente o município pelo prejuízo, segundo informa o defensor públi

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As pessoas que tiveram suas casas alagadas durante o temporal que caiu anteontem em Belém e sofreram perdas materiais poderão procurar a Defensoria Pública do Pará, a fim de acionar judicialmente o município pelo prejuízo, segundo informa o defensor público Climério Mendonça. No caso em que famílias de ruas inteiras ou bairros ficaram submersos com perdas de equipamentos, explica o defensor, pode ser ajuizada ação coletiva por danos materiais contra o poder público. Além disso, serão necessárias também várias ações individualizadas para identificar o prejuízo de cada família ou morador.

No caso da ação coletiva, ressalta Climério Mendonça, é a melhor forma de otimizar judicialmente a matéria para que não fique pulverizada e demore muito mais que a denúncia conjunta das pessoas prejudicadas. Neste caso, tem que ser demonstrado o interesse comum. Por exemplo, uma rua em que todas as casas foram invadidas pela água e que fique comprovado que não foi feita devida manutenção de limpeza no sistema de esgoto. Sendo assim, mesmo com o volume de chuvas acima do normal, o local poderia suportar o temporal, mas com a falta de manutenção os moradores ficaram à mercê da própria sorte.

Porém, o defensor também explica, que há situações em que o poder público não pode ser responsabilizado, como em casos de tragédias naturais que não podem ser evitadas. Por isso, ele enfatiza, será necessária a realização de perícias em todos os casos das famílias que se sentirem prejudicadas.

Climério Mendonça também recomenda que os moradores reúnam fotografias, imagens, que podem ser até de celular, enfim, todo tipo de provas para comprovar os danos que sofreram com o alagamento. Pode ser imagem de bueiros entupidos, a casa alagada, eletrodomésticos debaixo de água, canais sem limpeza e outros.

As famílias podem agendar uma audiência na defensoria pública através do número de telefone 129. Em caso de danos coletivos, podem procurar diretamente a Defensoria Pública no seguinte endereço da capital: rua Padre Prudêncio, 154, bairro da Campina, em frente ao Espaço Palmeira.

PERDA DE VEÍCULOS

Os motoristas de carro que enfrentaram os rios que se formaram em algumas vias também ainda estão “engolindo” o prejuízo concebido. Esse foi o caso da administradora Renata Rodrigues que saiu na tarde de chuva e quase perdeu o veículo no meio da água. “Eu estava indo para a academia por volta das 15h. Distraída, não lembrei que depois de toda aquela chuva, a avenida Marechal Hermes fica alagada. De repente vi o ‘rio’ que estava a rua, mas não pude dar ré porque vinha um ônibus logo atrás e por isso tive que seguir em frente”, disse ela.

Renata ainda andou cerca de 15 metros no alagamento quando começou a sentir que o carro estava tendo problemas. “Andei cerca de uns dez a quinze metros no alagado. Pela metade do caminho percebi que o carro quis morrer. Começou a falhar, mas eu consegui sair de lá. Quando tentava trocar a marcha fazia um barulho e ficava quase falhando”, contou angustiada pela situação.

Os “sintomas” do carro sentido pela motorista são sinais de que o excesso de água estaria invadindo o motor do seu veículo, principal causa para a maioria dos problemas enfrentados pelos carros de motoristas que se aventuram dentro da água.

De acordo com Neto Barros, gerente de uma oficina no bairro do Marco, em Belém, é possível que a água tenha entrado pelo escapamento do veículo e chegado direto ao motor. “A água entra pela descarga do carro. Por conta disso ele começa a falhar. Com o nervosismo, o motorista passa a acelerar o veículo, forçando ainda mais o motor. Por não ter para onde evaporar a água, é bem possível que o motor quebre”, comentou.

O gerente explica que os veículos com injeção eletrônica podem também ter suas placas desconfiguradas por receber muita água. “O carro começa a falhar e quanto mais ele for forçado é pior. O ideal é evitar passar por esse tipo de local”, sugere Neto. Na oficina dele aumentou mais de 40% a procura por conserto por causa de alagamentos.

(Diário do Pará)

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