Um dos principais nomes da equipe no primeiro ano de governo da petista Ana Júlia Carepa, o hoje presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Fisco Estadual, Charles Alcântara deve se tornar uma das lideranças estaduais do novo partido que está sendo criado pela ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva. Alcântara participa em Brasília das reuniões preparatórias para criação da legenda e vai coordenar, no Pará, a campanha pela coleta das assinaturas necessárias para que o partido conquiste o registro junto à Justiça Eleitoral.
A reunião de fundação da nova agremiação será realizada neste sábado na capital federal. Será o primeiro passo formal para a criação do partido que vem sendo chamado de Rede. O martelo em torno do nome deve ser batido hoje, assim como o estatuto e o programa partidário.
Marina Silva e Charles Alcântara têm muito em comum. Os dois formavam os quadros do PT; ocuparam cargos executivos e deixaram a legenda em meio a discordâncias sobre a linha seguida pela legenda de Luiz Inácio Lula da Silva após chegar ao governo.
A ex-ministra foi um dos principais nomes nacionais do PT e chegou a ocupar o Ministério do Meio Ambiente. No Pará, Charles Alcântara foi um dos fundadores do PT, coordenou a campanha de Ana Júlia Carepa ao Palácio dos Despachos em 2006. Eleita, Ana Júlia o levou para chefiar a Casa Civil, onde teria a função de cuidar da articulação política do governo. As disputas internas em especial com o grupo do hoje deputado federal Claudio Puty levaram Charles a pedir demissão. Em 2010, ele anunciou sua desfiliação do PT e até hoje permanece sem legenda.
O convite para participar da nova legenda veio da própria Marina que depois que deixou o PT se filiou ao PV por onde concorreu à Presidência da República em 2010. Marina, porém, não se sentiu à vontade entre os verdes e decidiu partir para a criação da nova legenda que chega com a pretensão atrair eleitores desencantados com o que está sendo chamando de “velha política”. “Queremos trazer de volta pessoas que se desencantaram e aquelas que nunca acreditaram”, diz Charles. Para isso, o estatuto deve trazer algumas inovações, entre elas o limite para que filiados ocupem cargos eletivos. Hoje a lei eleitoral não prevê limites, por exemplo, para a reeleição a deputado, mas a nova legenda deve impor limite de dois mandatos. Deve criar também limite para ocupar cargos na direção.
Cerca de 1,5 mil pessoas estão credenciadas para a reunião de criação do partido. Na semana que vem, deve começar a coleta de assinaturas. O número mínimo é de 500 mil, o equivalente a 0,5% dos votos válidos nas últimas eleições para deputado federal. Indagado sobre quais personalidades do Pará foram sondadas para compor a legenda, Charles diz que por enquanto, a legenda reúne muitos anônimos que sonham com “esse novo jeito de fazer política”.
(Diário do Pará)
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