A proximidade do poder público não impede o descaso. Localizada próximo ao principal cartão postal de Belém, o mercado do Ver-o-Peso, a praça Dom Pedro II clama por atenção das autoridades que a rodeiam. “Essa deveria ser uma das melhores praças de Belém. É em frente à Assembleia Legislativa e à Prefeitura de Belém e também próxima ao Fórum Civil”, observa o vendedor ambulante Cristiano de Oliveira, 39.
A calçada apresenta irregularidades, com as pedras que a cada dia soltam-se da estrutura do piso e não são repostas, abrindo verdadeiras crateras na pista de trânsito dos pedestres. O lixo toma conta do local, que fede a fezes e urina. O tronco de uma árvore que caiu já foi cortado, mas os pedaços estão lá jogados e impedem o acesso à ponte do lago, cheio de dejetos.
Os engraxates, que há décadas usam o local para trabalhar e são característicos da praça Dom Pedro II, recordam que assim como o ofício, a praça teve seus momentos gloriosos. “Já esteve bem melhor”, compara Valber dos Santos, 30. O tempo em que os casais buscavam o local para namorar, passou. “Agora as pessoas só transitam para ir de um lugar ao outro. Elas sabem que aqui é perigoso”.
Para o militar Ubirajara Magela, 37, as autoridades não dão o valor que a praça merecia ter. A opinião é compartilhada pela professora Elizabeth Andrade, 41 . “É uma insegurança só”, resume. O abandono também é justificado pelo comportamento da população, que não contribui para a limpeza, de acordo com o autônomo Kleber Castilho, 38. “As pessoas trazem a educação de casa para a praça. A praça não está totalmente abandonada, mas deixada de lado. Não é culpa só dos governantes, mas do povo também”.
Localizada em uma das principais avenidas de Belém, a Praça da República recebeu, esta semana, serviço de roçagem. Mesmo assim, o lixo, o mato alto e o fedor dos coretos incomodava a população e os turistas. “A impressão que dá é de que tá abandonada”, observa o arquiteto Felipe Anitelli, 33, que pela primeira vez visitava a Praça da República.
O autônomo Carlos Alberto Santos, 50, esporadicamente vai à praça ler jornal ou livros e lamenta o sentimento de insegurança que o impede de dar continuidade ao hábito com mais frequência. “Não tem policiamento. É uma praça tão bonita que não merecia estar assim”. Belém não respeita mesmo nem as Praças Históricas e nem as que levam nomes de seus mais ilustres homens, como as Praças Waldemar Henrique (maestro que ontem completaria 108 anos), no centro da cidade, Dalcídio Jurandir, no bairro da Cremação, e Bruno de Menezes, (escritores dos mais importantes), em São Brás, completamente abandonadas.
Sobre o mato alto, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) informou que desde a sexta- feira da semana passada está roçando as praças de Belém, com prioridade para as localizadas no Centro Histórico. “Nessa época o mato cresce em uma velocidade maior, no ritmo mais acelerado”, justifica Daniele Couri, chefe do departamento de paisagismo da secretaria.
Segundo o Guia Sustentável (2007), até 2008 Belém possuia 207 praças com uma área total de cerca de 1 milhão de metros quadrados. Ou seja, a cidade tinha apenas 0,4 metro quadrado por habitante e 62 dos 137 bairros sem praça. O que ainda é muito parecido com os dias atuais.
(Diário do Pará)
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