Uma imensa linha vermelha começou a riscar o mapa do centro comercial de Belém por causa da venda e consumo de drogas – principalmente de crack, entorpecente mais utilizado nas cidades brasileiras. Ao contrário do que afirmam as autoridades, a capital paraense possui, sim, áreas conhecidas como “cracolândia”.
O centro da cidade é um exemplo. Ruas como a Riachuelo, até então conhecida por aglomerar diversos prostíbulos, passaram a ser o corredor de escoamento de drogas e também de consumo. Uma triste realidade que pode ser vista tanto à luz do dia quanto à noite: usuários escondidos atrás de papelões acendendo cachimbo para “pitar” (fumar) crack e cheirar cocaína. De acordo com os moradores do local este é o ponto mais crítico.
Perto dali, na calçada de uma loja na avenida Presidente Vargas, em frente à Praça da Sereia, funciona outra área também conhecida como “cracolândia”. Nesta, os usuários – a maioria moradores de rua – consomem drogas descaradamente à noite. Na Gaspar Viana, onde funciona vários bares e boates, a comercialização de entorpecentes também parece correr livremente pela via.
A Praça da República e a Praça do Relógio, famosos cartões postais de Belém, também são cenários desta violência no qual estão sujeitos crianças, adolescentes, adultos, homens, mulheres, pessoas de todas as raças e classes sociais que se perderam no mundo das drogas. A situação é ainda mais deprimente quando se observa que os moradores de rua, cidadãos excluídos e desamparados de políticas públicas, compõem a “população” predominante das cracolândias.
O crack é uma droga similar à cocaína. Chegou por aqui há cerca de duas décadas, mas já tem um imenso público consumidor. De acordo com o usuário em recuperação atendido pelo Centro Nova Vida, D.V.S, em São Sebastião da Boa Vista, na região do Marajó só se consome crack. “Eu estive lá quando era viciado, procurei por cocaína em toda a cidade e só encontrava crack”, apontou o rapaz. Em Belém, este entorpecente também entrou para a lista das mais consumidas e que levam a pessoa à ruína. No cruzamento da Riachuelo com a Travessa 1º de Março, o comportamento dos usuários e traficantes chegam a afastar moradores e transeuntes.
Acompanhados pelo presidente do Centro Nova Vida, Luiz Veiga, que está mapeando as áreas de cracolândia de Belém, a reportagem conseguiu conversar com alguns destes moradores de rua. Todos têm uma história de vida para contar que se assemelham num único ponto: por causa de seus vícios, acabaram indo morar na rua e vivem uma vida “parasitária”, sem perspectivas e com a única certeza de que seguiram um caminho no qual poucos, muito poucos, conseguem voltar.
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