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Orelhões quebrados poderão ser desativados

Na urgência em conseguir contato e sem ter outra opção, o ‘orelhão’ instalado em frente a uma mercearia é a solução ideal. Sem que seja necessária muita cerimônia, o telefone é retirado do gancho e o que poderia se transformar em um grande problema é pron

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Na urgência em conseguir contato e sem ter outra opção, o ‘orelhão’ instalado em frente a uma mercearia é a solução ideal. Sem que seja necessária muita cerimônia, o telefone é retirado do gancho e o que poderia se transformar em um grande problema é prontamente resolvido. “Ajuda muito numa emergência”, aponta a comerciante Rosa Assunção.

Tendo o aparelho instalado bem à porta de sua casa, que também lhe serve de mercearia, Rosa não é a responsável apenas por disponibilizar cartões telefônicos para venda, mas também, a encarregada de guardar a integridade do telefone que, ainda hoje, serve a tanta gente. “Eu lavo ele sempre, não deixo quebrarem. Me sinto responsável por ele. Quando vejo uns meninos querendo destruir, eu falo logo: ‘Isso não é brinquedo, é uma utilidade. Pode parar com isso!’”, garante. “Hoje a facilidade de se adquirir um celular é muito grande, mas ainda têm pessoas que não tem condições. O custo da ligação também é mais barato do que ligar para celular, o custo ainda ajuda pessoas de baixíssima renda”.

A responsabilidade adquirida pela senhora responde às circunstâncias impostas pelo próprio cotidiano.

Apesar de não ser o único instalado na Travessa SN24, no conjunto Cidade Nova VI, em Ananindeua, o aparelho é um dos poucos que sobreviveram ao tempo. “Ali na frente mesmo tinha uma árvore com três. Destruíram. Por isso que, aqui, eu ‘ponho quente’”, explica-se, mesmo que, na maioria das vezes, o aparelho não sirva a ela, diretamente. “Muita gente usa esse telefone aqui. Por ser parada de ônibus, sempre tem alguém falando”.

Ainda que o próprio esforço tenha dado condições para que Rosa, hoje, tivesse um aparelho celular, ela não descarta a possibilidade de ainda precisar de um telefone público, o que a faz temer a possibilidade de desligamento dos aparelhos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), conforme anunciado no início deste mês. “Se a pessoa for assaltada, se não tiver ‘orelhão’, como vai se comunicar com a polícia ou com alguém?”, questiona a comerciante. “Tem um hospital aqui perto e vem gente de outros municípios distantes pra se internar. Eles ficam sem comunicação e vem ligar daqui”.

Moradores impedem depredações

Para além das emergências, para a dona de casa Maria de Fátima, os ‘orelhões’ ainda são muito usados também por quem não possui telefone em casa. Com um aparelho localizado bem em frente a sua casa, na travessa WE73, na Cidade Nova VII, a dona de casa acompanha a utilidade que o telefone público tem para muitos vizinhos. “Ele ainda serve pra muita gente, pela necessidade das pessoas. Às vezes ligam para um vizinho, a gente atende e avisa. Pra quem ainda não tem telefone, ele serve sim”.

Apesar da inegável utilidade, Maria de Fátima também não esquece da necessidade de manter o serviço funcionando. Sem que haja qualquer tipo de fiscalização oficial, cabe a ela, também, a tarefa de impedir que o aparelho seja depredado. “A gente fica de olho para não estragarem. Tem gente que vem, vê que não tá funcionando sai batendo, quebrando...”, afirma. “Até enquanto a gente consegue reparar, a gente cuida. Antes aqui em volta tinha muito, agora acho que só tem esse e nem sei se ele ainda está funcionando. Se vão manter esses telefones, tinham que cuidar”.

Apesar de funcionar assim que o telefone é retirado do gancho, o desgaste do ‘orelhão’ instalado em frente à casa de Maria de Fátima é aparente. Arranhado e com marcas profundas, aos poucos, o aparelho vai se igualando a outros que ainda sobrevivem no bairro. Em outros pontos, como na avenida Arterial 18, o aparelho até funciona, o difícil é fazer com que o usuário chegue até ele, engolido pelo mato da espécie de canteiro.

Segundo informações divulgadas pela Anatel, em decorrência de uma suposta falta de uso, 188 mil ‘orelhões’ podem ser desativados no Brasil. Uma consulta pública deverá ser feita à sociedade, até o final de março desde ano, sobre a possibilidade de redistribuição e redução de telefones públicos no país.

A proposta seria a de manter ativos apenas ‘orelhões’ com novas tecnologias que disponibilizem videofone, acesso à internet, transmissão de mensagens de texto e sinal de internet sem fio.

(Diário do Pará)

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