“Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. O chamado que consta em Matheus 28: 19 representou o convite do Papa Bento XVI aos jovens para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013, a ser realizada em julho, no Rio de Janeiro. Joseph Ratzinger não participará do evento, mas enviará o seu sucessor. Jovens de todo o mundo aceitaram o pedido e aguardam ansiosos para conhecer e receber o novo papa, que virá ao Brasil compartilhar o evangelho, como ocorre desde 1986.
“A visita do novo papa é um incentivo a mais para os jovens participarem da jornada e uma oportunidade de a juventude vê-lo de perto. Vamos acolhê-lo de braços abertos”, diz o servidor público Alexandre Tenório, 29 anos, que já está com a presença confirmada no evento. “A gente tá na expectativa”, resume a gestora ambiental Mônica Rebelo, 23 anos.
Mônica esteve presente na JMJ de 2011, em Madri, e pôde ouvir o evangelho de Bento XVI. “Fiquei um pouco longe, mas, apesar da distância, só de estar lá e ouvir ele falar, já é gratificante”, considera. “Estar presente é a resposta ao convite que ele fez. É o sim que nós demos”, afirma a universitária Kátia Patrocínio, 17 anos. Para o universitário Rafael Fernandes Chaves, 25 anos, a presença do papa foi marcante. “Em 2008, o papa perguntou que futuro queríamos deixar para as próximas gerações e é nisso que eu penso todos os dias”, lembra o jovem, que foi às JMJ da Austrália e de Madri e vai ao Rio de Janeiro em julho.
O anúncio da renúncia de Bento XVI pegou todos de surpresa, mas, ao invés de criticar o pontífice, os jovens lembram que, assim como qualquer humano, Joseph Ratzinger tem limitações. “Ele foi muito corajoso e, como homem, sabe das suas necessidades e até onde pode ir. Além disso, o papado dele deixou grandes frutos”, acredita Mônica, da juventude da Paróquia de Bom Jesus Samaritano. Eles creem que o sucessor de Bento XVI não será diferente do atual papa. “Deve seguir os mesmos princípios, que não mudam”, pontua a gestora.
A postura diferenciada de encarar a vida e a religião são vistas com estranheza pelos colegas. Em 2011, Mônica começou a trabalhar para, entre outras coisas, arrecadar verbas para custear as despesas da viagem. Porém, ao pedir para ser liberada para ir à Espanha, teve o pedido recusado. “Eu pedi demissão e todos me chamaram de louca e não entenderam o meu objetivo de ter um encontro espiritual com Cristo, na presença do papa”, conta. “A minha família me apoiou, eles acreditam na minha fé”, comemora.
Uma juventude atuante, que participa de encontros religiosos, vai à missa e prega o evangelho, é tida, nos dias atuais, como a exceção. “Eu vejo que aqui no Brasil há uma religiosidade natural, as pessoas são batizadas, mas nem todas têm o acompanhamento da fé, a caminhada, e não praticam”, observa Kátia, da Paróquia São Francisco de Assis, que compara a igreja a um museu. “A juventude espera por uma palavra. Pelo fato de os pais não irem à igreja e não levarem os filhos, há essa defasagem quanto à questão religiosa, católica”, completa Rafael Fernando.
Encontro com Jesus e preparação espiritual
Visando não perder o foco principal da JMJ, os jovens já estão sendo preparados espiritualmente. “Desde o ano passado, aconselhamos os jovens para irem a JMJ não para ver o Papa, mas para ter um encontro pessoal com Jesus Cristo e com os jovens do mundo inteiro”, afirma o representante da Comissão da Juventude do Regional Norte I – Pará e Amapá.
Os jovens passaram a ser o objetivo da Igreja Católica. Até a Campanha da Fraternidade deste ano é voltada à juventude, intitulada “Eis-me aqui, envia-me”. “O jovem sempre teve participação maciça dentro da igreja, com a teologia da libertação, que preza a liberdade de ser, do pensamento, fala sobre propagonismo, ou seja, o jovem é atuante dentro da missão catequética de evangelizar”, pontua o padre Rangel. Ele considera que a JMJ é o momento no qual todos os jovens se reúnem para discutir um novo modo de agir na sociedade. O motivo é simples e a juventude sabe da sua participação quanto Igreja. “Os jovens de hoje são os pais de amanhã”, exclama Rafael Fernando.
Troca de experiências e novas culturas
A participação e a experiência vivida nas jornadas, de acordo com o Rafael Fernando, “impulsionam o jovem a ser evangelizador”. A JMJ do Rio pretende ultrapassar o recorde de JMJ das Filipinas, em 1995, de quatro milhões de pessoas. O Pará deve levar ao Rio de Janeiro entre cinco e seis mil jovens. “É uma experiência pessoal de jovens de várias culturas unidos por um mesmo intuito, um objetivo de vida, que é evangelizar”, resume Felipe José Nunes, 20 anos, missionário da comunidade católica Shalom. A comunidade da qual faz parte pretende levar mil jovens para a jornada brasileira, que tem um tempero a mais. “Pode ser a primeira viagem apostólica do novo papa”, ressalta o rapaz, que mora no Chile e está em missão em Belém.
Esta será a primeira vez que o Brasil sedia a Jornada Mundial da Juventude. A presença do novo papa certamente atrairá a atenção do mundo todo ao Brasil. Os olhos da comunidade internacional estarão voltados para o Rio de Janeiro a fim de saber os conceitos que o novo ocupante do maior cargo da Igreja Católica vai defender. Tradicionalmente, o papa está presente na JMJ. “A figura do papa é superligada à Jornada Mundial da Juventude”, lembra o padre Rangel.
Evangelização à moda brasileira
Para o padre Rangel, representante da Comissão da Juventude do Regional Norte I – Para e Amapá, a escolha do Brasil para sediar a JMJ 2013 representa o diferencial dos jovens brasileiros em propagar a palavra de Deus. “O Brasil tem uma evangelização diferenciada. Na Europa, por exemplo, onde foi realizada a última JMJ, é muito secularizada, pouco se fala em religião e ela é mais praticada por crianças e idosos”, compara. “Vamos mostrar para o mundo como se faz a nova evangelização”, antecipa.
Por isso, os jovens ressaltam que a Jornada Mundial da Juventude não é uma desculpa para sair de casa e viajar. “Alguns pensam mais em conhecer outro país, passear, mas a realidade é bem diferente. A gente evangeliza as pessoas que estão deixando a fé de lado”, distingue Kátia. “A jornada é uma oportunidade de fazer uma experiência em Cristo, de sair da nossa realidade e conhecer outras e, a partir delas, ver como Cristo se manifesta no mundo todo”, acredita a gestora ambiental Mônica Rebelo.
Sobre a diferença entre os países sede das mais recentes JMJs, os jovens comentam que a presença deles nos locais gerou uma mudança comportamental que alterou o clima e a catequese do lugar. “Madri é uma cidade de velhos, idosos. Já o Brasil é um país jovem. Na Europa, muitos não acreditam em Deus e nós demos o nosso testemunho. A cidade se alegrou. Mudou”, observou Rafael.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar