“Polícia já. Queremos efetivo”. A frase no cartaz de protesto exibe um desejo frustrado há mais de sete meses, quando o certame que visa o preenchimento de 2.180 vagas na Policia Militar do Estado foi anunciado. Depois que os candidatos realizaram a segunda etapa de seleção em novembro, a Avaliação Médica de caráter eliminatório, o concurso foi paralisado. Ontem pela manhã, manifestantes se reuniram em frente ao campus da Uepa (Universidade do Estado Pará), entidade responsável pela execução do concurso, no bairro do Telégrafo, para cobrar providências. A Secretaria de Estado de Administração (Sead) deu um novo prazo para divulgação do resultado da avaliação: até o final deste mês.
Raul Costa, 28 anos, critica o descaso com que o Estado está tratando os candidatos. “Eles disseram que sexta-feira iriam divulgar o resultado da avaliação. Já é a segunda vez que nós estamos protestando e ninguém dá um parecer definitivo, só ficam enrolando a gente. Teve gente que vendeu moto, carro e tudo para fazer esse exame e se dedicar ao concurso e a gente fica nessa”, protesta. As duas últimas etapas do concurso público, a avaliação psicológica e os testes de aptidão física, seguem sem prazo marcado para acontecer.
Adriano da Silva, 25 anos, afirma que candidatos investiram de R$ 1.500 a R$ 2.000 na realização dos exames médicos necessários. “Isso é uma falta de respeito conosco. O pior é se o prazo de validade do concurso expirar e todo o dinheiro que a gente investiu se perder. Eles alegam que há liminares na Justiça e ninguém resolve nada. São mais de 2.000 profissionais esperando para trabalhar”, observa. Por ora, o único resultado que os candidatos dispõem é o da prova objetiva classificatória, realizada em agosto, correspondente à primeira fase do certame.
RESPOSTA
Em nota, a Sead informa que a divulgação do resultado da Avaliação de Saúde do concurso público, prevista para esta sexta-feira (15), foi adiada em função de inúmeras demandas judiciais impetradas por candidatos reprovados no certame. Segundo a assessoria, muitos candidatos obtiveram medida liminar favorável da Justiça, o que lhes assegura direito de participar do processo de avaliação de saúde. “Portanto, a Universidade Estadual do Pará (Uepa), entidade responsável pela execução do concurso, continuará impossibilitada em dar continuidade às demais etapas até que tais medidas liminares sejam superadas”, explica.
Ainda de acordo a assessoria, a decisão de adiar a divulgação do resultado segue recomendação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) por conta das ações que vêm sendo impetradas pelos candidatos reprovados. “A Sead, portanto, reitera que o atraso no cronograma de execução do concurso público da PM-PA foge à capacidade de governança do Estado, mas garante aos candidatos participantes a manutenção da transparência e lisura com que o processo seletivo vem sendo realizado”, esclarece a nota. A Sead assegura que, tão logo as medidas liminares sejam derrubadas, será providenciada a divulgação do resultado.
(Diário do Pará)
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