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Sobreviventes de acidente desabafam

Após a entrevista com o diretor executivo da Fantasy, Alexandre Correa, ao DOL, muitos familiares de vítimas do acidente com o ônibus no Paraná enviaram e-mails e comentários ao portal para relatar suas versões. Duas dessas pessoas foram a professora Mar

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Após a entrevista com o diretor executivo da Fantasy, Alexandre Correa, ao DOL, muitos familiares de vítimas do acidente com o ônibus no Paraná enviaram e-mails e comentários ao portal para relatar suas versões.

Duas dessas pessoas foram a professora Marialina Correa, 47, e sua filha, uma estudante de 17 anos.

Veja abaixo a versão das duas passageiras sobre o momento da tragédia e a postura da empresa Fantasy Turismo após o acidente:

“Não tem sido nada fácil. É muito difícil. Só quem está sofrendo, quem está sendo privado das suas atividades somos nós.

Minha filha está com o corpo inteiro retalhado. Meu pés estão com uma placa e não sei se vou poder voltar a andar. Continuo numa cadeira de rodas.

Eu considerava o Alexandre. Viajava sempre com ele e indicava a Fantasy para outras pessoas.

Às 7h eu estava acordada, sentada na poltrona 1 do ônibus e vi todo o acidente.

O ônibus vinha correndo. Ele era o segundo do comboio de três ônibus, mas na hora do acidente ele estava em primeiro porque ultrapassou os outros, estava correndo.

Ele (motorista) disse que se perdeu no caminho. Ora, se eu não conheço o caminho por que vou correr numa estrada desconhecida?

No dia 23 de novembro retornei ao local do acidente. Fiquei durante um hora filmando o local. Só passava caminhão com frenagem total por lá.

Placas indicavam 60 km/h. Isso não é mais acidente, já é imprudência.

A gente espera que ele (Alexandre) se empenhe com a seguradora a ressarcir os gastos iniciais que tivemos. Espero que ele se empenhe a pagar as notas e gastos das vítimas. As pessoas precisam muito. Estamos todas endividadas.

Para viver precisamos de dignidade. E isso o acidente nos tirou, acabando com o nosso simples direito de ir e vir”.

Marialina Correa , professora

“Essa foi nossa quarta viagem pela Fantasy.

Depois do acidente tivemos que ficar morando em Maringá, no Paraná, onde a minha irmã mora. Ela ficou tomando conta de nós.

Minha mãe sofreu fratura exposta na perna, quebrou os braços e o pé.

O meu caso foi o mais grave. Tive quebrado as duas pernas, o braço direito, cinco costelas, sofri hemorragia interna, perfuração nos dois lados do pulmão e várias escoriações pelo corpo. Já fui submetida a 12 cirurgias e ainda devo passar por mais.

Fazia o terceiro ano e tive que parar de estudar. Minha mãe precisou parar de trabalhar.

Passei três meses sem poder andar. Se andava, cansava fácil por conta da perfuração no pulmão.

Somente há três meses que retornamos para Santarém.

No último dia 4 consegui passar na faculdade. Aos poucos estamos tentando retomar nossa rotina.

O Alexandre disse que o ônibus bateu a 43 km/h, mas o laudo comprovou que ele vinha a 91km/h. Não faz sentido.

Eu tinha um carinho enorme por ele. Minha mãe confiava nele.

Ele disse que ia nos ajudar depois do acidente. Esperamos quatro meses pela boa vontade dele, e nada.

Minha mãe e eu sobrevivemos com 1/3 do INSS dela e ainda temos as despesas com cirurgia, hospital, passagens.

Tive complicações e precisei fazer uma cirurgia que custava R$ 5 mil, que foi paga por amigas da minha mãe. Ele em nada nos ajudou.

Meus amigos do colégio vendiam rifas e docinhos e faziam bazar para nos ajudar.

Quando ele diz que as famílias que não foram ajudadas foi por que não procuraram a Fantasy também é mentira. Passei três meses postando no Facebook a nossa situação para ele, ligando e ele desligava. Minha irmã chegou a ficar duas vezes cara a cara com ele para tentar resolver nosso problema.

Meu corpo nunca mais será o mesmo. O médico disse que posso nunca mais voltar a fazer balé,logo eu que adoro dançar.

Eu não queria brigar com ele. Mas acho que ele tem que ser homem e assumir a culpa. Correr atrás do prejuízo, ajudar as vítimas e não ficar com desculpas”.

Filha de Mariliana, 17 anos

(Antonio Santos/DOL)

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