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Bombeiros já haviam notificado construtora

Antes que o Corpo de Bombeiros tomasse a decisão de notificar a saída de todos os moradores do Residencial Mirante do Lago, no final da tarde de ontem, a Tenda (grupo Gafisa), incorporadora responsável pelo empreendimento já havia sido notificada por mais

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Antes que o Corpo de Bombeiros tomasse a decisão de notificar a saída de todos os moradores do Residencial Mirante do Lago, no final da tarde de ontem, a Tenda (grupo Gafisa), incorporadora responsável pelo empreendimento já havia sido notificada por mais de uma vez das modificações necessárias para garantir a permanência de moradores no condomínio. Iniciados ainda quando o documento de autorização de moradia foi reconhecido como fraudulento, os problemas se arrastaram até que fosse identificada a necessidade de desocupação das torres.

De acordo com o tenente coronel do Corpo de Bombeiros, Daniel Rosa, os riscos oferecidos aos moradores que permanecerem no local não são imediatos, mas são reais em caso de um princípio de incêndio. “Os riscos não são imediatos, mas podem causar uma situação muito grave caso aconteça alguma coisa. O residencial até oferece condições de moradia, porém, quem ficar lá, precisaria rezar para que nada acontecesse”, informou. “Hoje, o Mirante do Lago é uma ocupação irregular tanto do ponto de vista legal quanto do ponto de vista de segurança. Os Bombeiros ainda não liberaram o ‘habite-se’”.

Segundo o coronel que acompanhou de perto as vistorias, a fiscalização realizada na última segunda-feira não foi a primeira e, sim, a posterior ao último prazo dado à Tenda, incorporadora do grupo Gafisa e responsável pelo empreendimento. “Essa decisão não foi imediata. As vistorias têm acontecido desde dezembro e, desde lá, o Corpo de Bombeiros tem dado prazos para que a incorporadora fizesse as adequações necessárias”, afirmou. “Na última sexta-feira (15 de fevereiro) encerrou o último prazo. Foi feita a vistoria na segunda-feira e foi identificado que as adequações não foram concluídas. Os Bombeiros não podem mais esperar. A notificação para a retirada é imediata”.

Ainda preocupada em receber a grande quantidade de proprietários que buscavam informações, a síndica do condomínio, Larissa Maia, confirmou as visitas realizadas anteriormente. “A primeira mudança para o prédio aconteceu em julho de 2012. Logo que recebemos, fizemos uma vistoria e identificamos vários problemas que foram encaminhados ao Corpo de Bombeiros pedindo informações e só aí soubemos que o ‘habite-se’ era falso”, lembrou. “Em fevereiro perceberam que nada havia sido feito e deram mais dez dias. Na última vistoria, identificaram que não haviam feito algumas coisas e que o que tinha sido feito não estava à contento”.

Moradores entrarão com ação judicial

Os moradores do condomínio Mirante do Lago decidiram que vão entrar com uma ação judicial contra a Gafisa para que a construtora se posicione sobre a desocupação dos prédios exigida pelos Bombeiros e se for o caso se responsabilize pelas despesas que os moradores terão com as mudanças e alojamento em outro local.

Segundo a perita judicial e subsíndica, Márcia Campelo, os moradores decidiram entrar com uma ação judicial junto com o Ministério Público para que “se for necessário a empresa pague (hospedagem) e realize os serviços necessários para dar condições de habitação aos moradores”, informou.

Com a pasta destinada à acomodação de todos os documentos da compra do apartamento em mãos, o funcionário público Rodrigo Mota ainda não sabia como proceder. “Não conseguimos dormir direito porque não sabemos como vai ficar a nossa situação. Não temos para onde ir, a princípio. Nós casamos e viemos para cá. Esse sempre foi o nosso sonho e, quando nos estabilizamos, vamos ter que sair”, disse, ao lembrar dos valores já gastos com o apartamento. “Meu apartamento já está todo mobiliado. Gastamos R$30 mil só para mobiliar e não tenho lugar para ir”.

Com a expectativa de usufruir o bem adquirido já a partir do final deste mês, o engenheiro químico Aécio Carvalho se viu obrigado a mudar de plano. No condomínio para resolver problemas identificados em seu apartamento, ele também teve que lidar com os novos problemas. “A gente compra um empreendimento que não é barato e acontece isso. Estava prevendo mudar no final do mês, mas não vou poder vir”, indignava-se. Com sete torres ativas, duas em construção e quatro ainda por construir, o Residencial já abriga, atualmente, cerca de 100 famílias que, de acordo com a notificação dos Bombeiros, devem deixar o local o mais rápido possível.

(Diário do Pará)

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