Pela área localizada no entorno da passarela em frente ao supermercado Líder na BR-316 circulam centenas de pessoas todos os dias. Porém, com a quantidade de vendedores e sujeira, está quase impossível passar por ali.
A vendedora Ana Carolina Trindade pega ônibus todos os dias na área e reclama da situação que nunca muda. “É sempre assim, chove e fica impossível de ficar ali embaixo. São os bueiros que estão entupidos e não vejo fazerem nada”, comenta.
Outra situação que incomoda os passantes é a quantidade barracas de camelôs que se encontram no ponto, Ana Carolina conta que não importa o remanejamento da Prefeitura: “eles sempre voltam uns quinze ou vinte dias depois para o mesmo lugar. Isso atrapalha muito na hora de andar na calçada”.
A própria passarela já é motivo de preocupação. Há lixo em praticamente todos os degraus, e até mesmo onde os camelôs fizeram barracas. Uma pedestre desceu a escada carregando a filha menor para que ela não tocasse o chão.
Para o servidor Joelson Silva, a situação já está difícil há mais de um ano. “Trabalho aqui perto e esse movimento de agora ainda não é nada. Em horário de pico, como meio-dia, seis da tarde, o fluxo de pessoas é ainda maior. Acontece um acúmulo de gente aqui na parada e com esse alagamento então, impossível”, argumenta.
AMBULANTES
Os camelôs não gostam de comentar o assunto, mas afirmam que muitos pedestres não podem reclamar. “Quando chove eles agradecem por poder ficar sob as barracas, já que não tem pra onde correr”, explica a vendedora Paula Costa.
Isso porque mesmo com a cobertura da parada, todo o chão dos arredores fica alagado com a chuva. Outra vendedora que não quis se identificar avisa que o lixo que entope os bueiros e suja a passarela não é apenas dos ambulantes. “Todo mundo que passa joga um papel, um cigarro e por aí vai, depois fica assim, nessa situação”, comenta.
A reportagem tentou entrar em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pela manutenção das rodovias federais e pelas passarelas, mas obteve resposta até o encerramento desta edição.
Entre uma ponta e outra da passarela, pedestres desviam das barraquinhas dispostas ao longo do caminho antes de chegarem à escada. São cerca de cinco ambulantes que, durante o dia, ocupam o espaço destinado a quem tenta atravessar de forma segura a BR. Usuários reclamam que as bancas e lonas estendidas pelos camelôs empatam a passagem.
Manuel Moutinho, 49 anos, mecânico, fala que os ambulantes deveriam ser remanejados para uma área adequada. “A passarela virou um centro comercial. O espaço deveria ser destinado para travessia, não para fazer negócios. Atrapalha a gente, sim”, opina. Na parte debaixo, até chegarem às escadas da passarela, os pedestres precisam desviar de inúmeras barracas que ficam estendidas também nas calçadas.
Ananias Costa, 50 anos, pedreiro, precisa utilizar o espaço diariamente, assim como Manuel. “Tem assalto aqui em cima direto. já vi até gente vendendo drogas. Fora a sujeira que fica. O poder público precisa tomar providências pra resolver essa situação. É uma desordem só”, protesta.
Alex da Costa, 16 anos, é responsável por uma das barracas montadas na passarela. “É daqui que a gente tira nosso sustento. A gente precisa desse dinheiro pra sobreviver. Como é mais movimentado aqui, a venda é um pouco melhor ”, diz. Alex afirma que tem consciência de que está trabalhando irregularmente e que, se houvesse espaço adequado, deixaria o local. “Lá embaixo, a Polícia Federal costuma fazer batida e apreender nossos produtos. Levam tudo. Aí a gente precisa fazer empréstimo, se virar pra conseguir dinheiro”, revela.
A assessoria de comunicação da Prefeitura de Ananindeua afirma que os ambulantes que ocupam a passarela estão na área há anos. “Durante estes 50 dias de mandato, o prefeito vem trabalhando para reorganizar a cidade”, afirmou a assessoria de Comunicação.
(Diário do Pará)
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