O falecimento do ex-governador Almir Gabriel, na última terça-feira (19) deu-se em parte a um quadro de enfisema pulmonar. A doença afeta principalmente aqueles que fumam. O pneumologista Carlos Albério chama atenção para a identificação que se dá à doença. “Na verdade o que acontece é o que chamamos de Doença Pulmonar Obstrutiva (DPOC), que é uma combinação de bronquite crônica com o enfisema”, explica. A principal causa é o tabagismo. O doutor Albério fala que “aqueles que fumam pelo menos um maço por dia durante vinte anos são o grupo de alto risco. Maioria não desenvolve, mas mesmo assim, quem fuma sofre muitas outras consequências”. Por se manifestar a partir dos cinquenta anos de idade, muitos pacientes confundem os sintomas da DPOC com envelhecimento. “Isso atrasa o diagnóstico. O principal sintoma é uma tosse, que maioria dos fumantes considera normal, mas não é. Seguida de uma falta de ar incomum, quando pouco exercício já deixa o paciente cansado”, explica o médico. O ex-fumante Catarino Silva transformou a luta para largar o vício em algo produtivo, que beneficia diversas pessoas. Cantor e instrumentista, organizou a campanha “Respirar Livremente Através da Música”, que há três meses reúne cerca de 25 crianças do bairro da Sacramenta para aprender música. “Meu objetivo é passar para as crianças a felicidade que eu sinto agora. Larguei o cigarro há dois anos e isso só me trouxe benefícios: minha saúde está melhor, meu fôlego e a minha voz para cantar” explica Catarino, que tem 57 anos e fumou durante 42 deles. De segunda a sábado, as crianças ficam duas horas por dia ao lado de Catarino, aprendendo a tocar teclado, violão e flauta, além de percussão. Para espalhar a luta, Catarino compôs uma música e colocou no site de vídeos Youtube, falando do vício esquecido: Ele perdeu a mãe fumante, por causa de um enfisema pulmonar. “Infelizmente a doença levou minha mãe, levou o nosso querido ex-governador Almir Gabriel e sabe lá quantas pessoas pode levar no futuro. Por isso eu quero espalhar minha mensagem, para que todos vejam que a vida é bem melhor depois de largar o cigarro”, comenta. O músico transmite a mensagem de superação. Além de largar o cigarro, parou de beber há mais de vinte anos. A esposa, Marina, fala da vitória com muita alegria: “Foi realmente uma melhora enorme na nossa vida, porque o cigarro não fazia mal apenas para ele, mas para todos nós”. As duas filhas do casal, Marile e Caroline, também ajudam no projeto. Ele conta que foi difícil, mas foi à luta com determinação. “Foi um compromisso que assumi comigo mesmo. Tive apoio da família e dos amigos, que também foi essencial”, conclui. (Diário do Pará) |
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