A ação de limpeza realizada pelas prefeituras ajudou a controlar os casos de dengue no Estado do Pará nos dois primeiros meses do ano, segundo informações da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa). Os dados monitorados pelo Ministério da Saúde apontam que houve redução dos casos de dengue nas maiores cidades paraenses. Porém, 1485 casos já foram notificados somente este ano no Pará como suspeita de dengue, sendo confirmados 444. Destes, 441 confirmados como dengue clássica, dois casos de síndrome do choque da dengue e um caso de morte de uma senhora de 76 anos, ocorrido no início de janeiro no município de Rurópolis, na região da rodovia Transamazônica.
No entanto, explica o diretor de Controle de Endemias da Sespa, Bernardo Cardoso, se comparado ao mesmo período de 2012 foram notificados 7400 casos de dengue no Pará e 1.972 confirmados, o que demonstra que a ação de limpeza urbana dos novos gestores surtiu o efeito esperado, uma demonstração de que a dengue se alastra em amontoados de lixo. “Atualmente 90% dos casos de dengue nascem fora de casa”, afirma Bernardo.
A Sespa constatou que em Belém, Ananindeua, Castanhal, Altamira, Marabá, Santarém, Parauapebas, São Félix do Xingu, entre outras cidades consideradas grandes no Pará, a dengue reduziu cerca de 80% nestes dois primeiros meses de 2013 em relação ao mesmo período do ano passado. “Estamos trabalhando para que a doença não se transforme em epidemia novamente. Além da limpeza urbana feita pelos municípios, a Sespa e o Ministério da Saúde trabalham para o controle da doença e a conscientização da população é outro fator importante desse trabalho”, informa Cardoso.
Ele afirma que a mídia ajuda na conscientização das pessoas, com matérias contendo informações sobre os cuidados para não se acumular água em casa e denunciando locais com suspeita de focos do mosquito aedes aegypti, transmissor da doença. Além disso, a maioria das famílias já realiza ações de prevenção da dengue. Porém, os entulhos de lixo em terrenos próximos às residências são a grande preocupação das secretarias de saúde.
Por isso, a Sespa, em parceria com os municípios, realiza a borrifação de áreas onde são identificados focos do mosquito pelos agentes de saúde, além de utilizar um tipo de larvicida para combater a proliferação dos insetos. Também há uso de inseticida que mata o mosquito já alado, adulto, formando o conjunto de ações para bloquear a transmissão da dengue. “Atualmente a dengue nasce nos lixões das cidades. Onde há lixo acumulado existe muito mais possibilidade da dengue se desenvolver e se alastrar sobre as famílias”, alerta Bernardo Cabral. No período chuvoso o risco de contrair dengue aumenta, por isso a Sespa alerta a população sobre os cuidados necessários para prevenir a doença, como a retirada de objetos que possam acumular água nos quintais, folhas e outros materiais, além da limpeza de calhas, para evitar água parada e impedir a proliferação do mosquito aedes aegypti, transmissor da doença.
Doenças atingem famílias inteiras
O servidor público, Anderson Batista, mora no bairro do Souza, em Belém e sofreu com a dengue. Ele conta que contraiu a doença juntamente com a mãe e a tia, todos no mesmo período. A família chamou os agentes de saúde para fiscalizar o prédio onde eles residem, mas o local estava livre do mosquito. Porém, os agentes constataram focos do aedes aegypti em uma área próxima ao residencial, no trajeto do parque ambiental de Belém, onde as pessoas jogam lixo. Todos precisaram de ajuda médica para o tratamento da doença, que se desenvolveu na forma mais simples, porém, muito complicada, já que tiveram que se afastar do trabalho. Da mesma forma, a enfermeira Marluce Alencar, moradora do Marco, em Belém, sofreu com a dengue este ano. Ela contraiu a doença e assim que ficou curada, seu bebê de apenas nove meses foi confirmado com dengue também. “Foi muito sofrimento para ele. Teve que ficar internado por dois dias, mas graças a Deus agora está bem”, contou. Na redondeza da casa de Marluce, próxima à avenida Duque de Caxias, ela conta que também havia acúmulo de lixo e que ela suspeita de foco do mosquito que causa a dengue no local. Havia entulho e as pessoas jogavam lixo doméstico, mas que depois da denúncia, já foram retirados. “As pessoas não têm noção do quanto é perigoso o lixo acumulado perto de moradias”, alerta a enfermeira.
(Diário do Pará)
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