A região Norte, além de sofrer com a carência de profissionais para atender a população que reside nos locais mais afastados dos grandes centros urbanos, sofre também com a falta de qualificação dos profissionais. Estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que, dos insuficientes 16.538 médicos na região, mais da metade, ou 55,18%, não têm nenhuma especialização. São os chamados médicos generalistas. A situação no Pará é pior, 56,34% dos 6.565 médicos não têm especialização.
A região Norte tem a menor porcentagem de médicos em geral - 4,26% - e a menor também de especialistas, 3,57%. No Sul, a porcentagem de médicos em geral em relação ao país é de 14,91%, enquanto a dos profissionais titulados sobe para 18,06%. A região Nordeste também sofre com a falta de médicos e de especialistas. Mais de 52% dos profissionais também não fizeram nenhum curso de especialização.
Dos 388.015 médicos em atividade no Brasil, 54% têm uma ou mais especialidade. Os outros 180.136 profissionais (46%) do total, não têm título de especialista emitido por sociedade de especialidade ou obtido após conclusão de Residência Médica. De acordo com estudo Demografia Médica - volume 2 este dado insere um elemento preocupante para a assistência levando-se e conta a deterioração da qualidade do ensino médico e a falta de vagas nas Residências Médicas para todos os egressos dos cursos de graduação.
Excluindo-se os médicos mais jovens, que ainda não ingressaram ou não concluíram seus cursos de especialização, e os mais velhos, que desistiram de tentar vagas em residência ou não se submeteram aos atuais mecanismos de especialização, restam 88.000 médicos sem título. Este contingente, com idades que variam de 30 a 60 anos são os mais prejudicados pelas deficiências no acesso à Residência Médica.
“Cabe ao Governo proporcionar um sistema formador em condições de atender essa demanda reprimida e os futuros egressos das escolas. Todos devem ter a possibilidade de aperfeiçoar sua formação, o que resultará em benefícios diretos para o paciente e a sociedade”, lembra o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Avila.
Para ele, não adianta apenas criar vagas em cursos de medicina, mas se deve assegurar uma estrutura de pós-graduação em número e qualidade suficientes, concordando com as conclusões apresentadas. “Ao terem acesso ao aprimoramento e atualização - por meio de uma política de educação continuada dirigida a eles - ou mesmo à especialização tardia, estes profissionais poderiam suprir carências localizadas do sistema de saúde, inclusive na atenção primária”, revela o estudo.
(Diário do Pará)
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