A técnica administrativa Dilma do Socorro, 54, conta que há 23 anos recebe em seu contracheque religiosamente todo o mês o desconto do financiamento de sua casa, feito através do Estado pelo extinto Ipasep. Ano passado, quando Dilma foi tentar vender seu imóvel para adquirir um apartamento novo, veio a surpresa. “Eu fui na Cohab (Companhia de Habitação do Estado do Pará), que ficou responsável pelas pendências do Ipasep, e lá me falaram que eu tinha uma dívida de R$ 35 mil! Como, se todo mês vem descontado isso do meu salário e eu tenho todos os comprovantes? Pra onde tá indo o meu dinheiro”, questiona a funcionária da Uepa.
Trabalhando como servidora pública há 25 anos, Dilma afirma que desde abril do ano passado tenta regularizar sua situação, sem sucesso. “Eu já fui à procuradoria do Iasep (Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará) e lá me aconselharam a protocolar uma queixa na Cohab cobrando uma solução pra o problema. Mas por que eu tenho que fazer isso? Eu já fui na Cohab e lá nem eles sabem o que aconteceu com meu dinheiro. Para o meu bolso é que não voltou”, diz.
Segundo a técnica administrativa, outros servidores, inclusive da Uepa, passam pela mesma situação, mas fazem pouco caso do assunto. “O pessoal não liga porque diz que tem comprovante guardado e tá seguro. Mal eles sabem da burocracia que é. Já perdi várias oportunidades de comprar apartamentos bons porque eu tô contando com o dinheiro da venda da minha casa, ninguém vai querer comprar um imóvel em uma situação dessas”, afirma. De acordo com Dilma, até uma suposta carta de demissão chegou a ser cogitada por um atendente da Cohab. “Ele falou que com essa dívida eu não poderia nem estar ocupando o imóvel. Aí que fiquei mais desesperada ainda”, revela.
EXPLICAÇÃO
A gerente de relações comerciais da Cohab, Elizabeth Hage, explica que o que aconteceu foi um mal-entendido. “O que acontece é que o Ipasep, quando foi incorporado a Cohab, não atualizou os valores dos mutuários. O desconto no contracheque é muito baixo. Quando a gente faz a conversão dos índices defasados para os valores atuais, o saldo residual fica nesse valor de R$ 35 mil”, explica. De acordo com a gerente, a Cohab oferece 50% de desconto caso Dilma queria quitar integralmente este valor.
Segundo Hage, o aconselhável é que Dilma permaneça com o desconto no contracheque até o fim do contrato. “Como ela possui cobertura do FCVS (Fundo de Compensação de Variação Salarial), quando o contrato encerrar em 2015, este saldo residual será quitado sem despesas a mais. Não são todos os servidores que possuem essa vantagem”, esclarece. A gerente disse ainda que a Cohab, de maneira nenhuma, realiza ações de despejo e convidou Dilma a ir ao órgão para conversar sobre a sua situação.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar