Um fenômeno tem chamado a atenção de quem passa em frente às escolas públicas localizadas na área central de Belém. Muitas instituições de ensino praticamente imploram a matrícula dos alunos, situação bastante diferente do que ocorria décadas atrás, quando os estudantes enfrentavam seleções ou filas enormes para conseguir uma vaga para estudar no centro da cidade.
As faixas e cartazes afixados na fachada dos prédios públicos se assemelham às propagandas de escolas particulares na busca de estudantes, e tentam seduzir os alunos de todas as formas. Os objetos podem ser observados nas escolas Pinto Marques, Ulysses Guimarães e Deodoro de Mendonça, localizadas ao longo da avenida Governador José Malcher, no bairro de Nazaré.
Após elencar suas especificidades, a Escola Pinto Marques criou até "slogan" para atrair os alunos.
Importante perceber que esta situação reflete em realidade preocupante para o futuro do ensino público. De acordo com a diretora financeira do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), Conceição Holanda, o apelo é uma tentativa desesperada de acabar com a ociosidade das salas de aula, o que gera o não preenchimento de turmas e professores perderem carga-horária.
A diretora afirma ainda a necessidade de o Estado rever como pode atrair os estudantes, principalmente do ensino médio. "Pelo visto, estudar nas escolas do centro é mais dispendioso para os alunos. Quem mora no centro não estuda em escola pública e os estudantes da periferia têm de pegar ônibus, deslocarem-se para longe de casa, o que gera custo e pode não compensar. Além disso, muitos prédios são antigos, o que representa a necessidade de revitalizar os espaços", pontua Conceição.
Para saber o motivo do déficit de alunos nas escolas públicas do centro de Belém e o que está sendo providenciado para atrair esses estudantes, o DOL entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e aguarda posicionamento.
(Kleberson Santos/DOL)
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