Apesar da redução do número de casos de dengue no Pará, Belém está entre as cidades brasileiras em situação de alerta para o risco da doença, conforme aponta o Ministério da Saúde. De 1º de janeiro à 16 de fevereiro, 1.985 casos suspeitos de dengue foram notificados no Estado e uma morte foi confirmada, segundo o Ministério da Saúde.
Deste total, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) confirma 42 casos em Belém, mas sem nenhum óbito. O Ministério da Saúde se baseou no Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado em 983 municípios brasileiros. A pesquisa é feita para identificar onde estão concentrados os focos de reprodução e proliferação do mosquito transmissor da dengue. A média de concentração em Belém é de 3,7%, segundo o levantamento, por isso a cidade está em alerta. O resultado só é considerado satisfatório quando estes índices não ultrapassam 0,9%.
Para a diretora do Departamento de Vigilância em Saúde (Deves) da Sesma, Orliuda Bezerra, a população deve ficar atenta e evitar criadouros para o mosquito Aedes aegypti, agente causador da dengue, principalmente depois de constatada a existência do vírus DEN-4, que causa a dengue tipo 4 na qual a população não está imune. Até agora, dos 42 casos confirmados, sete são considerados graves pelo Ministério da Saúde.
De acordo com Orliuda, em Belém, as áreas mais críticas são as que compreendem aos Distritos Administrativos de Icoaraci (Daico) e do Entrocamento (Daent), com 125.400 e 167.035 habitantes, respectivamente. O primeiro apresentou uma concentração de 5% de criadouros do mosquito e o segundo 4%.
No entanto, o alerta não se restringe somente a estes bairros, mas em toda a cidade. “O Vírus DEN-4 está no município de Belém e a população de Belém não está imune a ele. Quem já pegou outro tipo de dengue, pode pegar a do tipo 4”, atentou Bezerra, que não descarta a possibilidade de um surto de dengue tipo 4.
CUIDADOS
O pesquisador Antônio Nascimento, 23, já contraiu dengue três vezes, num período de nove anos. Na verdade, ele já contraiu a doença provocada pelos vírus DEN-1, DEN-2 e DEN-3. “A primeira vez que peguei foi em 2002 e o foco do mosquito estava no quintal do meu vizinho. A segunda vez foi em 2007 e eu não descobri onde foi o foco”, comentou.
A terceira vez em que contraiu dengue foi em 2011, durante uma viagem ao Marajó. Nascimento desde então se mantém em alerta quanto a proliferação do mosquito. Ele mora no bairro do Benguí e ressalta que desconhece pessoas que se importem em se prevenir contra a dengue.
E conscientizar a população pelos cuidados contra a reprodução do mosquito, é apontada como uma das principais dificuldades do combate à doença, na opinião da diretora da Sesma.
Uma prova disso está na quantidade de lixo nas ruas que podem acabar funcionando como criadouros do Aedes aegypti – que não se reproduz somente em locais sujos propriamente ditos. Qualquer quantidade de água acumulada e parada serve como criadouro.
(Diário do Pará)
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