Diante da praça alagada e dos brinquedos sem condições de uso, resta ao pequeno Thiago, de quatro anos, apenas a lembrança das tardes de diversão na Praça Benedicto Monteiro, na avenida Barão de Igarapé Miri, no bairro do Guamá. Logo que os brinquedos foram instalados no local, em junho de 2012, a praça era destino certo durante as tardes. Hoje, porém, o menino é obrigado a brincar apenas dentro de casa. “Eu gostava de brincar no escorrega”.
Passados apenas oito meses da revitalização do local, o que se observa, hoje, é o perigo que os brinquedos quebrados oferecem a qualquer criança. Dos três balanços, um deixa à mostra uma grande quantidade de pregos. Para que se utilize a gangorra, em primeiro lugar, é necessário pisar na grande poça de água que toma boa parte do chão de areia. Nas laterais, o mato já encobre parte das lixeiras e dos bancos onde os pais deveriam acompanhar a diversão dos filhos. “Não deixo, não deixo, não deixo... Quando eles vão para lá [para a parte dos brinquedos], eu já chamo de volta”, reforça a avó de Thiago, Carmem Nascimento. “Está muito ruim. Deixaram tudo bonito, mas as pessoas vêm e destroem tudo. Eles [netos] já brincaram muito aqui, agora não tem mais condições”.
Com três crianças em casa, a estratégia utilizada pela diarista é a de utilizar apenas a parte central da praça, bem longe dos brinquedos. No espaço vazio, porém, ela sabe que os netos não aproveitam da mesma forma. “A gente precisa dessa praça. À tarde eles ficam muito estressados de ficar dentro de casa. Eles já brincaram muito aqui”, reafirma. “Apesar de todos os problemas, eu sou frequentadora desta praça. A gente precisa desse espaço. Falta cuidado, tinham que colocar um guarda aqui pra não deixar acontecer isso”.
“As crianças já não têm muita opção de lazer e, quando tem, fica desse jeito”, avaliava o autônomo Jorge Roberto, que também utiliza o espaço da praça para a prática de exercícios. Apesar de não utilizar os brinquedos, o frequentador do local conhece bem a situação difícil enfrentada pelos pais e crianças. “O pessoa já até reclama de trazer as crianças para cá. Antes vinha muita gente, agora já não vem muito”.
TUDO QUEBRADO
Quem também já pode usufruir de espaços de lazer são as irmãs Maria Eduarda e Maria Luiza, de cinco e dois anos. Acostumadas a ir ao ‘Espaço Infantil’ instalado na avenida Marquês de Herval com a travessa Angustura, na Pedreira, quando os brinquedos ainda lhe serviam, ainda hoje, elas não pensam duas vezes antes de sair correndo em busca de diversão. “Eu trazia elas para brincar quase toda a noite. Agora, está tudo quebrado. Elas não vêm mais”, apontava a diarista Regiane Cristina enquanto tentava impedir que as meninas subissem nos brinquedos quebrados. “Esse era um espaço que era pra ser de diversão e está tudo quebrado. Já não trago mais para elas não se machucarem”.
Com o dedinho apontado para o brinquedo preferido, o balanço, a pequena Maria Luiza ainda tenta convencer a mãe a lhe deixar brincar, sem idade o suficiente para entender que o equipamento enrolado no poste já não apresentava mais condição de uso. “Elas gostavam muito do balanço. Agora, só o que ainda dá para usar é o escorrega”, enumera. “Era bom consertar porque isso aqui era uma diversão não só para elas. Muitas crianças vinham para cá todas as noites. Agora todo mundo tem que ficar dentro de casa”.
(Diário do Pará)
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