Andar pelas calçadas à margem da avenida Pedro Miranda está mais fácil. Os feirantes que anteriormente tomavam conta da via destinada aos pedestres, agora ocupam o Complexo de Abastecimento da Pedreira, localizado no cruzamento da avenida com a travessa Mauriti. “Tá tudo limpo e organizado”, observou Leonor Damaso, 48, técnica de enfermagem que transitava pela calçada livre, estranhando a mudança. “Tá ótimo, uma maravilha. Só espero que nenhum pai de família tenha ficado sem espaço para trabalhar pelo ganha pão”.
A Secretaria Municipal de Economia (Secon) garante que não houve irregularidade no remanejamento dos feirantes para os 234 boxes do Complexo. “Esse processo é da gestão anterior e já estava em andamento, mas foi revisto por conta de algumas denúncias”, afirmou Celina Oliveira, diretora geral da secretaria.
O que a técnica de enfermagem temia, aconteceu. “Há quem reclame que ficou fora do processo, aproximadamente cinco pessoas, que aconselhamos que nos procurem para que possamos solucionar a situação”, disse a diretora.
Na tarde de segunda- feira (25) foi realizado o sorteio que determinou a ordem de ocupação dos boxes. Ainda há um certo impasse quanto a “propriedade” dos espaços. “Tá a maior confusão. Primeiro teve um sorteio. Depois, outro”, conta Luciana dos Anjos, 17, que ajuda a mãe na venda de lanches. Elas ainda não sabem ao certo se o ponto de venda onde estão trabalhando é o local definitivo.
Os locais mais privilegiados são aqueles situados próximo à entrada, com acesso à calçada. “Graças a Deus eu tô bem na frente. Agora os outros não tiveram a mesma sorte. Teve gente que vendia roupa e ganhou vaga na parte de hortifrúti”, disse uma feirante que preferiu não se identificar, por temer perder o ponto bem localizado.
Há 12 anos trabalhando como feirante ao longo da avenida Pedro Miranda, dona Mercedes Jesus Farias, 59, receia perder a clientela. “Lá era melhor por que o pessoal gosta de comprar na rua, onde é avacalhado”, acredita. Nos primeiros dias, segundo ela, a população vai procurar o Complexo. “Depois eles vão embora. Eu preferia lá, na calçada”, diz.
“Tá melhorzinho aqui por que tô protegido do sol e da chuva, não preciso tá correndo”, constata o vendedor de farinha, Naro da Silva, 58. Ontem foi o primeiro dia de funcionamento do novo espaço e os feirantes ainda estavam habituando-se ao local, assim como os clientes. “Ficou muito bom para eles, principalmente, e para a gente também”, diz Lea Costa, 42, operadora de caixa. Para o aposentado Orlando Dias, 69, o Complexo poderia ter ficado melhor. “Tá um calor horrível. É uma obra de R$ 1,99”, exclama.
O Complexo de Abastecimento da Pedreira conta com 234 boxes divididos entre mercearia, hortifrúti, industrializados, lanches e confecções. “Há dez anos os feirantes saíram da antiga Casa do Bife, que foi desapropriada e ocuparam as calçadas e hoje foram remanejados”, lembra a diretora-geral da Secon. Ontem, guardas municipais, agentes da Secretaria Municipal de Economia e garis mantiveram a organização e limpeza no local.
(Diário do Pará)
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